Wednesday, December 13, 2006

O que dizer no próximo programa de televisão?



Fatos que marcaram 2006 e continuarão por todo 2007, 2008, 2009.....

Tenho tido a sorte ou outro nome que se possa dar ao fato de que, sempre acabo voltando aos lugares por onde passei. A verdade foi que novamente me chamaram para protagonizar um programa de televisão. Graças à simpatia e gentileza da apresentadora do Programa Mesa de Negócios, da TV Horizontes canal 19 e em UHF 22, Inácia Soares, estarei diante dos telespectadores, no dia 26 de dezembro dando um depoimento do que aconteceu em 2006 e seus reflexos para 2007.

O que dizer para os brasileiros empresários “sobreviventes” desde país do “futuro”

As previsões “sombrias” que havia feito sobre 2006 se concretizaram, ou seja, previ para todos os que me ouviram em palestras ou escritos, que teríamos um ano difícil, pois, estaria em 2006 se repetindo o que aconteceu em 2002, ou seja, feriados em excesso, Copa do Mundo e para finalizar o “sombrio ano” eleições. Tudo foi acompanhado pela inoperante estrutura governamental. Coadjuvado pela falta de infra-estrutura de todos os setores que dependem do Governo. Infelizmente, a encomenda chegou pior do que o pedido, pois, dentro de todos os problemas com infra-estrutura, não sabíamos nosso espaço aéreo estava um caos, fato que sempre foi abafado pelos caçadores de voto. Fernando Gabeira dias desse afirmou no Congresso nacional para quem quisesse ouvir que: "Lula diz que deseja que a economia cresça cinco por cento ao ano". Gabeira completou: "Isso é algo típico da esquerda, sonhar com uma meta e depois descobrir como alcançá-la. Mas o blecaute da aviação demonstrou novamente que a infra-estrutura do país não está pronta para esse crescimento”. Reforço: Gabeira é de esquerda.

O que falarei no programa é do declínio de outra infra-estrutura

Não irei ao programa do dia 26 de dezembro falar sobre esse tipo de deficiência na infra-estrutura nacional, pois, bastará precisarmos de qualquer serviço que esteja em mãos governamentais, que saberemos como seremos tratados. Aproveitarei meus dezesseis minutos na TV para falar de uma outra defasada infra-estrutura: a mental. Basearei meu depoimento nos reflexos do desenvolvimento mental da classe média para as décadas seguintes. Destacarei nesse depoimento sobre os últimos resultados da desenvoltura econômica da classe média brasileira, nos últimos seis anos, no que concerne aos seus ganhos mensais. Exemplo. Foi demonstrado que, considerando que esta classe ganha acima de três salários mínimos (mais de R$ 1.050), houve saldo negativo de quase dois milhões de empregos formais nos últimos seis anos. A renda da referida classe, de quem conseguiu um emprego, recebendo mais de R$ 1.050, despencou 46% em termos reais (descontada a inflação), se confrontarmos a renda que era paga as pessoas da classe média antes de serem demitidos.

O que esse declínio da classe média representará para o Brasil

A empresa que represento, a Estrutura Humana, vem desenvolvendo uma pesquisa que teve começo desde 1996 para detectar junto à classe média, quer seja assalariada ou de empresários, como essa classe vem aplicando seus recursos em educação. Infelizmente, ela está investindo há mais de duas décadas, acima de trinta por cento de seus rendimentos para elevar seus filhos aos patamares educacionais melhores. Desde os anos oitenta, essa classe está migrando seus filhos dos colégios governamentais para escolas particulares. A despesa com esse movimento sócio-educacional, associado ao processo de perdas salariais da classe média, vem distanciando seus herdeiros da única e possível fonte de completude mental da atualidade: o entendimento tácito da globalização. Décadas passadas essa classe média, ainda abastada, tinha na correção monetária seu porto seguro mensal, podia então encaminhar seus filhos para os intercâmbios com outros países. Escolhiam, principalmente, os países de língua inglesa, para que seus sucessores falassem uma segunda língua.

A hora é agora de globalizar-se. Mas, cadê o dinheiro?

Hoje, essa classe que devia ter como obrigação educacional ter seus filhos em programas de intercâmbios, cujo foco além do conhecimento de outra língua, seria de reforço no entendimento o que é de fato a globalização, não possui mais o recurso financeiro. Agora que os filhos da classe média deveriam entender globalização, seus pais mal conseguem pagar o colégio privado. Pergunto: como essa nova geração que necessita de um emprego nos próximos anos, pode referenciar sua educação, tendo como observação educacional às universidades de nosso país que, no ranking das duzentas melhores universidades internacionais, possui apenas uma. Querer que nossos estudantes, nossos empresários, nossos trabalhadores com cargo de liderança entendam globalização olhando o Brasil é apostar no fracasso do futuro próximo, pois, estarão colocando os estudos acadêmicos, as empresas e a empregabilidade em risco profundo.

A falta da globalização e seus reflexos para as décadas futuras

Esta explicação é por demais simples. Vejamos quem venceu como estudante, empresário ou trabalhador com cargo de liderança desde a década de setenta. Foram empreendedores que tiveram a coragem estudar muito em país de analfabetos, de endividar-se para construir sua própria empresa e trabalhar dedicadamente para encantar seus patrões e crescer na empresa. Para o meio empresarial o crescimento dependia de recrutar pessoas de nível baixo, mas, com mão de obra eficaz, ainda que fosse a poder da cenoura. Bastava pagar baixos salários e estarem protegidos pelas mãos de ferro dos governos que não permitiam as manifestações sindicais. Todos os envolvidos em produzir o PIB do “milagre” cresceram até os anos oitenta, mas, pela falta de desafios diante dos produtos estrangeiros estagnaram naquela década. Ressalvo, no entanto que, estagnar nos anos oitenta, não era o pior dos mundos, pois, com o mercado fechado, o lucro continuava florescendo. Lembre-se querido leitor, lucro advindo somente da participação no mercado interno. Até porque, somente as multinacionais exportavam.

Enxergar somente para dentro do Brasil. O erro fatal!

Os empresários brasileiros apenas calculavam em suas planilhas o quanto queriam ganhar em seus produtos e serviços. Esses empresários com seus lucros maravilhosos ao invés de construir uma mente aberta, com olhar para os horizontes que avizinhava a globalização, continuaram sendo os “donos da verdade” olhando somente na construção de seus castelos de areia da pseudocompetência, acreditando na mão de ferro daqueles que faziam as leis protetoras. Esse acreditar em quem não merece crédito fez com que os “crentes”, sem saber, estivessem cavando suas próprias sepulturas e toda sua família. Houve, no entanto, para os “donos da verdade” a falta de visão durante três décadas sobre o mercado externo, de como ele age, produz, vende, cobra e, principalmente, quais impostos os produtos e serviços aceitam. Esses “donos da verdade” se deixaram enganar por sucessivos governos, ao verem os impostos subirem cada vez mais, deixando seus produtos mais caros que os globalizados, e o pior, sem ter a qualidade internacional desejada pelos clientes. Agora, esses “donos da verdade” tupiniquim, estão cada vez mais distantes dos grandes centros internacionais globalizados. Ao perderem o poder de arbitrar seus próprios lucros seus castelos de areias da pseudocompetência desabou. A pesquisa que continuamos a fazer vem demonstrando que essa classe, que não é mais a “dona da verdade”, se tornou uma classe média. Tem trabalhado em volume hora o que nunca pensou trabalhar. Se empresário está criando um enorme passivo trabalhista que ficará por vinte anos como uma espada pendurada em sua cabeça, presa por um fio de crina de cavalo. Se trabalhador, o desemprego bate a sua porta, toda vez que o Governo que lhe toma vinte e cinco por cento de tudo o que ganha, faz o Brasil crescer o que vem crescendo. O pior é que os “ex-donos da verdade” continuam com a mesma visão interna de mercado dos anos setenta/oitenta, tendo por esses motivos dificuldade em deixar o país para entender o que de fato é a globalização, como também não conseguindo numerário suficiente para fornecer aos seus descendentes essa nova visão mundial. Finalizarei esse blog na próxima semana. Espero que meus leitores possam ajudar-me na fala do dia 26 de dezembro, dando dicas sobre esse assunto.

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