Devemos ou não amar nossa empresa?
Sempre que faço essa pergunta em meus treinamentos, recebo como resposta algumas afirmações, tais como: meu “chefe” é um insatisfeito; minha empresa não está “nem aí” comigo; lá ninguém se dá “o respeito”; “eles” somente pensam em cobrar; entre outras afirmativas que ouço. A seguir vem a pergunta: como posso amar uma empresa que não me reconhece?
E, quando faço a pergunta para a classe patronal: seus funcionários amam suas empresa? O empresariado também oferece diversas afirmações, como essas: “esse pessoal” se você der o pé eles vão querer o corpo inteiro, se você elogiar eles ficam “mascarados”, se você abrir exceções eles fazem virar regras.
Diante desse cenário contraditório pergunto: como motivar esse pessoal? Paro, olho, penso e depois começo a elaborar respostas, até por que, cada empresa é uma empresa. Tenho visto empresas que sabem estimular pessoas, afinal, ninguém a não ser o “eu-próprio” tem a competência de motivar, ou seja, somente existirá a auto-motivação. Ninguém tem competência para mudar a forma de pensar daqueles que não gostam de reconhecer que a empresa é uma ação de todos, sendo que o capital e o risco ficarão a cargo dos investidores e as funções para os funcionários, mas, o amor pela empresa deve responsabilidade de todos.
Interagir na empresa com a igualdade social e a responsabilidade empresarial
Gosto muito de contar essa história que vivenciei tempos atrás. Eu havia sido convidado para uma festa surpresa, que comemoraria o aniversário de uma pessoa querida de um determinado grupo empresarial. O local seria a casa de um amigo da referida pessoa a ser homenageada. A festa seria realizada em uma área que não possuía cobertura alguma, portanto, sujeito às intempéries do tempo. Segundo a Lei do sargento da aeronáutica americana, Murphy, tudo o que tem que dar errado acaba por dar. E deu! Bastou o lugar não possuir cobertura para que chovesse. E, é claro, choveu cântaros. Diante de tanta chuva recebi um telefonema que, a princípio, acreditava ser o cancelamento da comemoração. Que nada! Era um novo endereço. A festa seria realizada com chuva e tudo, no entanto, em um lugar coberto. Chegando ao novo local, percebi todos convidados em atividades. Uns lavando o chão, outros preparando as mesas, outros preparando os comestíveis. Eu, não me furtei em ajudar, pois, o lugar fora arranjado de ultima hora e precisava de preparação.
Interagir sempre para que todos participem
Porém, comecei a questionar o por quê de tanta ação em pró de um líder que estava para completar vinte e poucos anos? Queria saber se era pura babação-de-ovos, puxa-saquismo ou que outro motivo? A resposta veio simples, rápida e verdadeira. O gerente em questão, era uma pessoa que amava a empresa na qual trabalhava e como se sentia um igual, amava à todos que na empresa trabalhavam e os clientes o amavam também. Todos os que estavam fazendo a festa surpresa, que eram seus comandados, deixaram claro o prazer que era trabalhar sob seu comando e como pregava a igualdade com responsabilidade, todos estavam preparando uma participação empresarial, na qual, todos faziam parte. Percebi então que o estímulo para todo aquele grupo era o aniversário, porém, a motivação era o amor a empresa.
A necessidade de amarmos nossa empresa informalmente
Nem sempre conseguimos um “espírito” informal dentro da empresa. O motivo dessa dificuldade é a diferença humana que existente. Alguns sabem levar a termo essa informalidade, respeitando os limites. Outros não. Tenho pregado que a formalidade seja o instrumento de nosso cotidiano. Pode parecer um pouco de inflexibilidade de minha parte, mas, como pesquisador humano, publiquei anos atrás uma pesquisa que realizei durante três anos. A referida pesquisa oferecia ao mesmo tipo de publico a formalidade. Depois de um ano medi os resultados. Ofereci no ano seguinte um pouco de informalidade e medi os resultados. E no terceiro ano permiti a total informalidade, medindo posteriormente o resultados. A consolidação dos resultados três anos depois demonstrou que melhor tipo de trabalho foi realizado em ambiente de total formalidade. Os resultados obtidos com um pouco de informalidade e total informalidade demonstraram que as pessoas nesses tipos de ambientes ficam dispersas, brincam demais, perdem a noção de onde termina sua liberdade e inicia a do próximo. Portanto, os resultados são realmente ruins. Hoje posso afirmar que, a regra do amor dedicado à nossa empresa deverá ser elaborada em ambiente de total formalidade, por ser esse ambiente o melhor.
A confusão da formalidade em relação a intolerância
A nossa cultura que é obscurantista, ou seja, não premia o estudo e sim a prática, faz uma grande confusão em relação a formalidade e a intolerância. Ser formal é estar disciplinado dentro do modelo proposto de política de trabalho, de atitudes, de ética, de amizades, enfim, ser disciplinado para os processos os quais a empresa contratou o funcionário. Essas regras não excluem a empatia, a alegria, o amor, a vontade em servir a outrem, entre outras agradáveis regras sociais. Ao passo que a intolerância é algo que o próprio nome destaca, como sendo a intransigência com relação a opiniões, atitudes, crenças, nosso modo de ser e viver reprovando ou emitindo pré-julgamento alheio. Levantando dados falsos, mentirosos, injustos, agindo também como intrusos, burros ou determinando por meio de algum tipo de coerção, utilizam a força do cargo para desaprovar os pensamentos dos demais.
Interagir com todos é o fundamento do amor à empresa
Ao amarmos nossas empresas, estaremos por extensão amando nossos clientes, aqueles que de fato pagam nossos salários. Aqueles que de fato trazem o lucro para que possamos dar continuidade aos nossos sonhos de seres humanos. Sonhos esses que para se tornarem realidade, deverão ser sempre “bancados” pelos salários que recebemos. Não devemos nunca deixar de amar nossas empresas. Se assim agirmos, estaremos em primeiro lugar prejudicando a nós mesmos, em segundo, nossos clientes e em terceiro, perdendo nossa própria auto-estima e nossa dignidade profissional. Devemos sempre ter em mente que, o amor dedicado a nossa empresa será aquele amor puro, sincero, real, os quais serão sem dúvida repassados aos nossos clientes/pessoas. Como conseqüência serão retribuídos para nós mesmos, ao longo do tempo, por clientes/pessoas que lembrar-se-ão do momento no qual foi atendido por nós. O amor ao próximo tão presente em todos os ensinamentos bíblicos deve ser o mesmo apregoado dentro das empresas. Quem ama vende mais! Pense?
L.C.Bocatto – Mestre em Mercado e Comunicação – Diretor da Estrutura Humana
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