Wednesday, June 28, 2006

Festa junina, a Copa do Mundo e o Brasil parado


A festa junina estava totalmente sem graça. Coisas de minha cabeça acostumada a comparações. Escutava aquelas musiquetas nada a ver com o padrão que havia sido criado para os folguedos juninos. Experimentava aquelas comidinhas totalmente sem graça. Olhava para as pessoas dançando como se fossem robôs e não achava a menor graça em nada do que via. Perguntava para meu “eu”? Cadê o pau-de-sebo, com aqueles maravilhosos escorregões de todos que desejavam chegar ao cume? Cadê a fogueira que lacrimejava os olhos de quem a olhava? Cadê a batata doce esturricada nessa mesma fogueira? Cadê a poeira que deixa marrom a menina de meus olhos? Cadê os balões no céu que, se apontássemos com o dedo, teriam uma verruga no dia seguinte? Cadê as bombinhas que assustavam aos incautos? Cadê os rojões de vara que zuniam no céu escuro, deixando-o claro de tanto barulho e luz que emanava de suas pólvoras? Minha cabeça voltava ao pretérito, onde nas festas juninas tinham muito barulho, muita música, muitos balões, muito tudo o que fazia parte de um Brasil off road, caipira mesmo, cheio de sotaque interiorano. Brasil da esperança, do futuro, de um dia ser uma Nação justa para com seu povo.

Quando a festa é chata, o assuntou volta-se para futebol, política ou economia


Como era uma festa junina onde havia muitos empresários, profissionais autônomos e alguns consultores, a falta do pau-de-sebo, fez com que todos se aglutinassem em alguns assuntos específicos. O pessoal que estava ao meu redor puxou uma prosa sobre futebol que pouco durou. Tentaram algo sobre política, mas, não foi avante, devido ao escárnio que todos estava sentindo com os últimos acontecimentos, mensalínicos e ambulanciais. Em um determinado momento alguém se fez presente com um assunto sobre o Brasil que não cresce, que não desenvolve, que fica a mercê dos ventos que sopram do Planalto Central. Esses reclamos, infelizmente, ficou com toda a atitude teórica de quem assiste todas as noites aos jornais das principais mídias. Algo rasteiro como a vegetação do cerrado. Mas, o suficiente para que todos pudessem emanar naquela falta de rojões seus totais conhecimentos econômicos.

Para que eu pudesse me enturmar fiz uma simples pergunta acadêmica

Para não ser um “chato” procurei me posicionar naquela turma de entendidos no processo econômico nacional, perguntando qual o último acréscimo que alguém pudesse ter tido em um curso de especialização em administração, economia ou outro que credenciasse todos a aprofundar naquele empolgante assunto: o Brasil vai de mal a pior. Não foi para mim nenhuma surpresa que todos os eloqüentes “economistas-de-plantão” dissessem que o cotidiano era a melhor escola de vida. Diante de tamanha certeza de que devemos ter no cotidiano as razões para que possamos acrescentar algo a uma excitante conversa sobre economia, me calei, pondo-me a ouvir somente, por perceber que nada demoveria aquele grupo a continuar a cantilena que ouvimos todas as noites nos jornais das mídias tradicionais.

Vivemos em um país que passou desde a década de oitenta noventa e seis meses em recessão

Se aquele papo sobre economia ficou no rodapé dos conhecimentos sobre o que ocorre no país, ao menos fez com que eu pensasse em escrever esse blog para colocar os pingos nos “is”. Enquanto os EEUU, que o Chaves insiste em ter como inimigo na mídia, mas, como parceiro na vendas de seus petróleo, esteve durante o mesmo tempo por vinte e sete vezes em recessão, o país bretão que agora torce como nunca para que sejamos “hexa” campeões, esteve durante noventa e seis meses amargando essa mesma recessão. Enquanto os EEUU investe como nunca na derrubada dos impostos e ainda de sobra, faz com que os seus cidadãos os paguem ao comprar o produto ou o serviço, o país que pretende ganhar da França nesse sábado insiste em gastar somente com o funcionalismo, oferecer as esmolas aos que o governo considera “pobre” e agora, para melhorar ainda mais seu modelo populista, oferece bolsa de estudos aos que ele considera “excluídos”. A sociedade brasileira ainda não percebeu que mudou a forma de populismo, do aumento do salário mínimo para todos os que pagam os impostos, para levar a certeza de ganho em eleições futuras nas duas pontas que elegem os dirigentes desse país, que são os bolsões de pobreza e agora os pobres que podem ingressar nas universidades. Nada contra essa ação governamental, mas, temos que ter em mente que essas ações em nada resolvem as questões de melhoria do padrão de vida de todos nós, e muito menos garante que esses jovens que agora podem ingressar nas universidades tenham seus empregos ao dela saírem. O grande e grave problema fica para o fato de que empresários definitivamente não gostam de teorias, o governo não gosta de baixar os impostos, os pobres assistidos pelas esmolas governamentais não gostam de buscar a melhoria de vida e que todos gostem de torcer para o futebol brasileiro. Bem, pelo menos teremos a cada quatro anos, caso ganhemos mais uma copa, a euforia que nos dará assuntos para as próximas festas juninas, que não mais tem música de qualidade, fogueira grandiosa, pau-de-sebo para subir e batata assada para aumentar a flatulência.

Monday, June 19, 2006

Mailing list – Sonho ou pesadelo?

Uma das especialidades da Estrutura Humana é o Geoprocessamento de Negócios, nome pomposo para uma prática que faz retornar rapidamente o dinheiro no caixa da empresa, planeja todo o processo de trabalho dos recursos humanos, evoca se há ou não disponibilidade de caixa para os próximos dois anos para alavancar vendas e por último vai checar no mercado quem de fato é o cliente da empresa. Nessas mais de duas décadas de atuação no mercado de negócios poderíamos sem a falsa modéstia desfilar dezenas de exemplos bem sucedidos dessa forma de atuação. Porém, para não sermos cansativos, vamos apenas citar nesses três últimos anos, o geoprocessamento que fizemos para o setor de aviação, no qual há dois anos passados detectamos que a Varig não agüentaria continuar no mercado da forma que estava atuando. Podemos destacar também que no setor de revenda de combustíveis, existem postos mais conhecidos do que a própria bandeira que ostenta. Mas, fiquemos com o exemplo em andamento desse ano de 2006.

Uma mala direta de 14.000 que se resume a cinqüenta e cinco clientes fieis

Um de nossos clientes de 2006 nos apresentou uma mala direta contendo mais de 14.000 possibilidades de negócios. Checamos o histórico dessa mala direta e percebemos que no decorrer dos últimos anos, a referida estava chegando por meio de um comunicado mensal para apenas 5.400 clientes. A partir desse número iniciamos um trabalho de geoprocessamento, que no decorrer de três meses de trabalho de relacionamento direto com os clientes, esse número passou para menos de três mil, sendo que, os clientes que de fato recebiam essa mala direta eram menos de 2.000, os fieis que compravam todos os meses apenas cinqüenta e cinco, sendo que oitenta e um compravam mês sim, mês não.

Como construímos uma plataforma de crescimento para o mercado da contratante

Como esse blog não é um tratado acadêmico. Nessa forma de negócios, os clientes apenas recebiam a mala direta e constavam no mailing list da contratante, verificamos o que ele considerava cliente ativo, ou seja, aquele que recebia todos os meses uma mensagem sobre negócios oferecidos por aquela empresa que nos contratara. Colocamos uma novidade para a contratante: o acompanhamento por meio técnicas de relacionamento sobre o que pensava o cliente em relação a contratante. Diante do armazenamento de informações fomos cruzando-as e checando as relações de vendas durante três meses. Percebemos que não havia uma tendência para que esse setor crescesse por estar aquele mailing list esgotado.

Empresas acreditam apenas que mailing list ficam desatualizados: o grande erro

A maioria das empresas que nos contratam o faz para que atualizemos suas listas, acreditando que, se o mailing estiver atualizado os clientes estarão sempre ativos. Esse é o erro. Argumentamos para todos os que nos contratam que um mailing list pode estar esgotado, ou seja, os clientes não querem mais participar daquele tipo de negócios, comprar aquele tipo de produto, ou mesmo ter aquele tipo de atendimento. Checamos para tanto, quais os fatores inviabilizam as relações de negócios entre a contratante e seus clientes. Essa inviabilidade pode representar diversos motivos, tais como: envelhecimento do tipo de tecnologia de abordagem, quer seja humana ou via WEB; um tipo de cliente existente no mailing list que não aceita mais aquele produto ou serviço; novos concorrentes entrantes no mercado com mudanças nos produtos e serviços, fazendo com que o cliente seja mais bem atendido. O custo médio mensal desse mailing list era de R$ 3.338,80 (impressão e remessa), sendo que, nenhuma informação era acrescida mensalmente ao referido, e o custo para levar o cliente até nosso contratante era em média de R$ 29, 30, tendo alguns Estados da Federação o custo em dobro, às vezes em triplo e acrescentamos: em alguns Estados chegou a custar o quíntuplo. Percebam que o contratante estava trabalhando com um mailing list que não acrescentava nenhuma informação mensalmente sobre as ocorrências de mercado, tendo seu custo elevado.

Criando uma nova plataforma de crescimento

Depois do armazenamento das informações que obtivemos nesses três primeiros meses de trabalho, pudemos então, elaborar e definir como assertivas as colheitas que tivemos nesse mercado por meio do geoprocessamento de negócios daquele mailing list. Com os resultados concluídos podemos então criar nova plataforma de crescimento para o mercado do cliente que nos contratou. Essa plataforma desse cliente em destaque nesse blog está sendo construída (o contrato conosco terminará em dezembro de 2006), quer seja por meio de novos mailing list, desenvolvido ou comprado com uma mira certeira de alavancagem para novos negócios ou mesmo por meio de novas pesquisas de mercado. O próximo passo será verificar ONDE que estão os novos clientes, agora levando em conta dados concretos e comprovados, tais como: potencial da área; renda fixa familiar; renda fixa por faixa etária e população circulante; o que tem representado de positivo e negativo a empresa que nos contratou.

Buscar o diferencial de mercado

Outro fator de análise é COMO podemos fazer a diferença. Por meio de um pensamento analítico para o futuro, estamos junto ao contratante formulando o que podemos criar de diferencial para seus clientes. Para tanto, estamos colocando nessa plataforma, quais os recursos que devemos aplicar nessa inter-relação, onde poderemos reunir esses recursos, quem tem os conhecimentos necessários para que os recursos ao serem implementados possam dar continuidade, como poderemos capacitar melhor os envolvidos e quais os processos que poderão manter por mais tempo os clientes ativos e fieis. O mais importante de tudo o que estamos colocando o custo para levar o cliente até os negócios do contratante, depois desses três meses está no entorno médio de R$ 35,23 tendo um aumento médio de 10,32% no início, para depois derrubar esse desperdício. Ressaltamos que, o custo por cliente, nos Estados que não estão respondendo ao chamado apenas estamos em contato direto com aqueles fieis e eliminamos todos os outros. Temos nesses três meses realizado contato telefônico com o mailing list adequado. Portanto, fazer o geoprocessamento de negócios é uma forma inteligente de avaliação de mercado, como também ter a certeza de que se elimina os desperdícios com o mailing list dos sonhos, ficando com o da realidade.

Wednesday, June 14, 2006

A vida continua. O duro é aceitar

O muro alto não foi o suficiente para impedir que o vendedor de laranjas anunciasse seu produto em oferta. Essa oferta estava acompanhada de uma música, deixando aquele ambiente triste. Aquela tristeza experenciada por todos os presentes, naquele instante, era uma realidade que não poderia ser modificada. A oferta e a música penetraram em minha mente, misturando como se fora um liquidificador, minhas reminiscências, atingindo como uma flecha meus olhos, que estavam fixados naquele último ato, de uma cena de vida, na qual, um dos protagonistas deixava esse mundo para sempre. A música adentrava aquele jazigo, em sincronismo com minhas lágrimas que banhavam aquele esquife, que guardaria para todo o sempre, parte de minha existência. Estava dando adeus a minha mãe.

As lágrimas, a música e as histórias que vivi

Ver pela última vez aquela pessoa que me proporcionou a vida, tendo naquele momento, perdido a dela, vida terrena, para ingressar na vida eterna, dói demais. Mas, a vida daquele vendedor de laranjas continuava, sua música no jazigo adentrava, as lágrimas derramavam sobre o esquife, minha mente vagava. Retroagi por longos cinqüenta e tantos anos de lembranças, as quais estive junto àquela que dera a luz a este que vos escreve. Como não aceitamos a perda de entes queridos, mesmo sabendo que eles partem dessa, para que em outra existência possam estar ao lado do Pai. Durante aqueles longos e derradeiros instantes, milhares de imagens orbitavam pululando de axônio, para neurônio, transformando minha mente em um Atlas de uma vida que passei ao seu lado. Pensava: “mamãe morrera, a vida continua e as laranjas têm que ser vendidas”. O duro é aceitar toda essa realidade.

Mamãe não pôde ver a capa do meu livro

Um dia antes do falecimento de minha mãe, estava fazendo a foto do livro que lancei no dia oito próximo passado. Queria que ela pudesse ter visto. A capa é composta por seu neto, em primeiro plano, tendo seu filho em segundo. O neto Eduardo acumulou a função de seu afilhado. Ironia do destino ou não, estaria lançando um livro sobre sucessão familiar e, justamente, um dia antes, perdia aquela que me deu a oportunidade de ser seu sucessor. A vida continua, laranjas devem ser vendidas e um livro deve ser lançado. Transpondo aquele alto muro para se alojar nos recôncavos daquela lúgubre morada eterna, local que repousará para sempre minha mãe, uma música denotava a presença e a existência de sons, que compõem a alegria de viver, mesmo que estejamos na presença da morte.

A altivez, a força e os exemplos daquela mãe

Filha de pai descendente de índios e mãe descendente de negros, quis a vida que viesse em mil novecentos e trinta, aquela criança do sexo feminino, que esteve labutando na tenra idade, nas lavouras de café, das fazendas na região de Campinas. Tempos depois, fora para a São Paulo, Capital, ser empregada doméstica, local este que na juventude, o destino quis que ela conhecesse um filho de italianos e desse matrimônio, nascessem seus dois filhos. Fora àquela mulher da altivez inconteste, que possibilitou a mim, pensar sempre “grande”. Teve em sua força de trabalho a responsabilidade para com suas clientes. Dentre tantos exemplos, esse foi o maior dos que alguém pôde ter tido. Ela, como uma das melhores costureiras que Campinas já conheceu, ganhadora de prêmios em desfiles de fantasias, elevou aos pícaros de sua existência a responsabilidade de nunca deixar que as roupas que prometesse costurar atrasasse uma hora do combinado. Esse senso de responsabilidade, para que essa entrega no tempo aprazado ocorresse, roubou-lhe noites de sono, fazendo-a transformar o ébano da noite, em marfim da luz de lâmpadas, para cumprir os prazos prometidos. Exemplos dessa mãe ficarão gravados a ferro e fogo em minh´Alma. Foram baseados neles que nunca deixei meus clientes sem receberem o que havia prometido. Durante os vinte e quatro anos de Academia, nunca deixei um aluno sem aula, muito menos que eles ficassem à minha espera. Nunca perdi um vôo, uma partida de ônibus, um encontro combinado. Esse legado que aprendi com Maria de Lourdes Batista Bocatto me fez, naquele ultimo olhar para o centro da terra, perceber em seus ensinamentos que, se nos propusemos a vender laranjas, elas deverão ser vendidas, no tempo certo, para que não entreguemos mercadorias podres. Assim é a vida, uma dura realidade, quer queiramos ou não. Ela sempre afirmou que se a realidade é realidade, deve ser aceita. Descanse em paz minha mãe e que Deus a eternize, como eu a eternizei em meu coração.