A festa junina estava totalmente sem graça. Coisas de minha cabeça acostumada a comparações. Escutava aquelas musiquetas nada a ver com o padrão que havia sido criado para os folguedos juninos. Experimentava aquelas comidinhas totalmente sem graça. Olhava para as pessoas dançando como se fossem robôs e não achava a menor graça em nada do que via. Perguntava para meu “eu”? Cadê o pau-de-sebo, com aqueles maravilhosos escorregões de todos que desejavam chegar ao cume? Cadê a fogueira que lacrimejava os olhos de quem a olhava? Cadê a batata doce esturricada nessa mesma fogueira? Cadê a poeira que deixa marrom a menina de meus olhos? Cadê os balões no céu que, se apontássemos com o dedo, teriam uma verruga no dia seguinte? Cadê as bombinhas que assustavam aos incautos? Cadê os rojões de vara que zuniam no céu escuro, deixando-o claro de tanto barulho e luz que emanava de suas pólvoras? Minha cabeça voltava ao pretérito, onde nas festas juninas tinham muito barulho, muita música, muitos balões, muito tudo o que fazia parte de um Brasil off road, caipira mesmo, cheio de sotaque interiorano. Brasil da esperança, do futuro, de um dia ser uma Nação justa para com seu povo.
Quando a festa é chata, o assuntou volta-se para futebol, política ou economia
Como era uma festa junina onde havia muitos empresários, profissionais autônomos e alguns consultores, a falta do pau-de-sebo, fez com que todos se aglutinassem em alguns assuntos específicos. O pessoal que estava ao meu redor puxou uma prosa sobre futebol que pouco durou. Tentaram algo sobre política, mas, não foi avante, devido ao escárnio que todos estava sentindo com os últimos acontecimentos, mensalínicos e ambulanciais. Em um determinado momento alguém se fez presente com um assunto sobre o Brasil que não cresce, que não desenvolve, que fica a mercê dos ventos que sopram do Planalto Central. Esses reclamos, infelizmente, ficou com toda a atitude teórica de quem assiste todas as noites aos jornais das principais mídias. Algo rasteiro como a vegetação do cerrado. Mas, o suficiente para que todos pudessem emanar naquela falta de rojões seus totais conhecimentos econômicos.
Para que eu pudesse me enturmar fiz uma simples pergunta acadêmica
Para não ser um “chato” procurei me posicionar naquela turma de entendidos no processo econômico nacional, perguntando qual o último acréscimo que alguém pudesse ter tido em um curso de especialização em administração, economia ou outro que credenciasse todos a aprofundar naquele empolgante assunto: o Brasil vai de mal a pior. Não foi para mim nenhuma surpresa que todos os eloqüentes “economistas-de-plantão” dissessem que o cotidiano era a melhor escola de vida. Diante de tamanha certeza de que devemos ter no cotidiano as razões para que possamos acrescentar algo a uma excitante conversa sobre economia, me calei, pondo-me a ouvir somente, por perceber que nada demoveria aquele grupo a continuar a cantilena que ouvimos todas as noites nos jornais das mídias tradicionais.
Vivemos em um país que passou desde a década de oitenta noventa e seis meses em recessão
Se aquele papo sobre economia ficou no rodapé dos conhecimentos sobre o que ocorre no país, ao menos fez com que eu pensasse em escrever esse blog para colocar os pingos nos “is”. Enquanto os EEUU, que o Chaves insiste em ter como inimigo na mídia, mas, como parceiro na vendas de seus petróleo, esteve durante o mesmo tempo por vinte e sete vezes em recessão, o país bretão que agora torce como nunca para que sejamos “hexa” campeões, esteve durante noventa e seis meses amargando essa mesma recessão. Enquanto os EEUU investe como nunca na derrubada dos impostos e ainda de sobra, faz com que os seus cidadãos os paguem ao comprar o produto ou o serviço, o país que pretende ganhar da França nesse sábado insiste em gastar somente com o funcionalismo, oferecer as esmolas aos que o governo considera “pobre” e agora, para melhorar ainda mais seu modelo populista, oferece bolsa de estudos aos que ele considera “excluídos”. A sociedade brasileira ainda não percebeu que mudou a forma de populismo, do aumento do salário mínimo para todos os que pagam os impostos, para levar a certeza de ganho em eleições futuras nas duas pontas que elegem os dirigentes desse país, que são os bolsões de pobreza e agora os pobres que podem ingressar nas universidades. Nada contra essa ação governamental, mas, temos que ter em mente que essas ações em nada resolvem as questões de melhoria do padrão de vida de todos nós, e muito menos garante que esses jovens que agora podem ingressar nas universidades tenham seus empregos ao dela saírem. O grande e grave problema fica para o fato de que empresários definitivamente não gostam de teorias, o governo não gosta de baixar os impostos, os pobres assistidos pelas esmolas governamentais não gostam de buscar a melhoria de vida e que todos gostem de torcer para o futebol brasileiro. Bem, pelo menos teremos a cada quatro anos, caso ganhemos mais uma copa, a euforia que nos dará assuntos para as próximas festas juninas, que não mais tem música de qualidade, fogueira grandiosa, pau-de-sebo para subir e batata assada para aumentar a flatulência.