Monday, November 27, 2006

O encontro com o Embaixador chinês que fala português.


O Brasil e a China, a China e o mundo, quantas disparidades!

Estive na semana passada em uma palestra patrocinada pela FIEMG, com o Embaixador da República Popular da China, Sr. Chen Duqing, palestra esta na qual fiquei ainda mais aturdido, com o desenvolvimento daquele país. Aturdido não por compará-lo ao Brasil, que perde até para a Argentina, mas, em relação aos países que são de fato desenvolvidos. Acreditem não tem para ninguém! Nada segura a China à não ser ela mesma. Uma breve abertura do Embaixador. Morre em 1976 Mao Tse-Tung, nasce para a modernização chinesa Deng Xiaoping com o programa denominado Quatro Modernizações. Objetivos eram conseguir a suficiência alimentar para os chineses, desenvolver a indústria geradora de emprego para os migrantes do campo, reequipar as forças armadas, investimentos em ciência e tecnologia para atingir a eficácia da qualidade mundial. Finalizando esse quadripé, abertura para os investimentos estrangeiros. Esse foi o embrião do programa predecessor ao que conhecemos como socialismo chinês.

O conhecimento sobre o Brasil do Embaixador

Sabemos que a China nos sufoca, não somente a nós, mas, a todos os países que são seus competidores. Porém, vale uma ressalva ao Embaixador Chen Duqing, ele é uma demonstração viva de como vale um trabalho realizado no longo prazo. Basta salientar que ele disse “estou aqui para vender o meu peixe” em seguida afirmou: “a língua portuguesa é meu ganha pão”. Aliás, fala o português sem sotaque, falando corretamente os “r”. Ele é a simpatia em pessoa! Poderia ser um grande político brasileiro, ou seja, questionado sobre a toda exportação chinesa que sufoca pelos preços baixos os países concorrentes, o Embaixador responde com uma fala coerente, convincente e atraente. Mesmo que o público ouvinte saiba que a China está anos luz de ser uma real economia de mercado, pelas falhas na estrutura de benefícios e salários. Conhecendo a precariedade dos encargos empregatícios chineses, se comparados aos elevados encargos de seus concorrentes, o público “docilmente” aceitou as respostas do Embaixador. Nem foi citado que no socialismo chinês não permite ainda a presença de ações sindicais.

Explorando o conhecimento do Embaixador

Fiz a seguinte pergunta: “como o Brasil vai absorver os produtos chineses se hoje existem pressões para melhoria de qualidade de vida de nossos trabalhadores advindas da O. I. T., sendo que sobre a China não existe nenhuma pressão"? Reforcei: "mesmo que exista a China não está preocupada em atender a demanda de seus trabalhadores". Finalizei a pergunta: "em sendo assim não teremos preço para acompanhar os preços de similares chineses". Ele, simplesmente respondeu que a China tem graves problemas em relação aos a qualidade de vida de seus funcionários, mas, que o Poder Central tem procurado melhorar esses quesitos. Não disse quando, nem como o Poder Central está realizando essa melhoria. Reforçou ainda dizendo, o Brasil tem que pensar também pelo lado positivo: "a China vem segurando a inflação de centenas de países, pois, tendo produtos de qualidade com preços baixos, a demanda interna acaba sendo servida pelos produtos chineses e o país detém um melhor controle da inflação". Só faltou o público aplaudi-lo! Perguntei também sobre os valores de salários médios dos chineses nas regiões de produção de produtos para exportações e quando são os percentuais que são recolhidos de encargos. A resposta: “não temos um índice confiável ainda, mas, o Poder Central está procurando estabelecer um mínimo para os trabalhadores”. Perceba leitor o Embaixador é de fato um funcionário de carreira exemplar, conhecedor e admirador de seu país. A platéia seguia atentas as respostas e aumentava cada vez mais a admiração pelo Embaixador que sabe detalhes sobre o Brasil que muitos políticos brasileiros não tem a mínima idéia.

O disparate Brasil se comparado à China

O Embaixador disse algo que deveria ter marejado os olhos de muitos presidentes brasileiros. Afirmou o Embaixador que tinha uma certa inveja do desenvolvimento brasileiro na década de setenta, pois, acreditava naquele tempo que o Brasil seria uma grande potência ao findar daquele milênio, fato esse que nunca aconteceu. Ele ainda argumentou que o Brasil era naquela época um exportador de inúmeros produtos acabados e semi-acabados para a China, algo que anos depois se inverteu. Ele disse ainda que o empresariado brasileiro não está voltado ao desenvolvimento para exportações e que o sucesso da balança comercial do Brasil está relacionado com exportações de matéria prima básica. O silêncio às afirmativas dele foi quebrado por um depoimento meu: afirmei serem os empresários brasileiros distantes aos processos de exportação pela dificuldade em falar outras línguas, dificuldades em querer saber tacitamente como funcionam outros países, enfim, nossos empresários de fato preferem atuar no mercado interno somente. É claro que fui questionado por alguns dirigentes e aplaudido por outros. Independentemente da polêmica sobre o empresariado, todos saímos satisfeitos com o encontro. Foi como estivéssemos caminhando para o cadafalso satisfeitos com a simpatia do nosso verdugo.

Monday, November 20, 2006

Canais de TV dirigidas, blogs, You Tube...Ah! Esse Admirável Mundo Novo!



Quando Aldous Huxley escreveu na década de trinta, “Admirável Mundo Novo”, onde ele previa a padronização de tudo, não poderia imaginar que poucas décadas depois, tudo seria virado pelo avesso. Com o aparecimento da Internet, na década de oitenta e sua popularização uma década depois, os seres que deveriam ser padronizados pelos sistemas vigentes, descobriram que podem criar individualmente e participar do sistema padronizado, algo inimaginado naqueles anos trinta. Hoje, qualquer ser plugado na net, pode mundo afora, ter seus espaços críticos, artísticos, intelectivos, religiosos, entre outros. Explico. Escrevi durante quase uma década em dois jornais de Campinas. Iniciei no Diário do Povo e depois passei a escrever até 2005, no décimo mais importante jornal do Brasil: Correio Popular. Tinha uma coluna em um dos melhores e mais bem elaborados cadernos voltados ao empresariado, comandado pela jornalista econômica, Ana Carolina Martins. Infelizmente, sabedor que jornais impressos estão tendo seus lucros cada vez mais diminutos, fui percebendo o fim de minha coluna a partir da diminuição do volume de páginas do Caderno Economia. Outros tempos estaria eu alijado de uma forma de expressão que tanto bem me faz: construir idéias, instigar comentários e expressar minhas considerações para todos que gostam de assuntos empresariais.

Décadas de puro encanto

Aquelas décadas foram de puro encanto para quem gosta de trabalhar em consultoria, pesquisar na academia, tendo depois a oportunidade de unir todos os resultados, práticos e teóricos e divulgá-los na mídia impressa, levando informações ao mercado. Mercado esse que posteriormente, transformava informações em conhecimento, colocando em discussão as proposta que todos os domingos ilustravam por palavras aquele Caderno Economia. Aos domingos minhas idéias pululavam pelos olhares de centenas de milhares de leitores. Fechada aquele maravilhosa porta por onde eu entrava todos os domingos na mente dos leitores, percebi que outra, ainda mais larga se abria: a blogosfera. Esse admirável mundo novo on-line me oferta diante de sua modernidade, um outro caminho de expressão, inclusão de idéias e interatividade. O blog http://www.bocattonovidades.blogspot,com/ tornou o meu local internacional, no qual posso continuar expressando meus conhecimentos e práticas sobre atividades que desenvolvo nas empresas.

Conhecendo a força da televisão dirigida

Dias desse fui surpreendido pelo convite da apresentadora de programa de uma televisão aberta para ser entrevistado. Esse canal desponta como ferramenta dirigida a determinado tipo de telespectador. A referida apresentadora, comanda uma hora de programação, ao vivo - haja competência -, sobre o que mais gosto de fazer: consultoria empresarial. Estou me referindo ao programa Mesa de Negócios que pode ser visto, todas as terças feiras, as vinte e uma hora no Canal TV Horizonte, sintonizado em UHF n° 19 e na NET n° 22. Estive durante dois blocos de mais ou menos oito minutos cada, discorrendo sobre a falha do empresariado em planejar estrategicamente suas empresas por no mínimo dois anos futuros. Terminado, segundo Andy Warhol, meus quinze minutos de fama, fiquei imaginando que tipo de público assiste a um canal de televisão com programação dirigida. Pela temática minha imaginação foi povoada idéias do tipo: empresários pequenos e médios, profissionais autônomos, entre outros pertencentes a creme de la creme dos negócios.

Começaram surgir surpresas

Minha chegada na academia onde remexo meus quase “sessentários” ossos, foi a primeira surpresa, a maioria dos colegas de ginástica me felicitaram pela entrevista, pois o jovem empresário da educação física me disse que não perde um programa. Chego ao estacionamento São José, centro de BH, fui felicitado novamente, o gerente, Sr. Jorge, e alguns outros funcionários adoram o programa. Abro meu computador, inúmeros e-mails felicitando-me pelo assunto tratado e pelas “dicas” levadas ao ar. Termina o dia, passo na padaria para levar para a casa o pão nosso de cada dia, outras pessoas felicitam-me, por ter o dono da padaria comentado que assistira a entrevista. Conclusão minha naquele momento, as grandes redes estão perdendo espaço para os Canais de Televisão dirigida. Reflexiono. É por demais agradável pertencer a uma geração que está tendo o privilégio de sentir na pele, nos olhos, nas sinapses, todas as modificações que este maravilhoso mundo novo está proporcionando à todos que dele queiram participar. Quero também felicitar o pessoal do Canal de TV Horizontes pelo excelente programa que vem sendo exibido todas às terças feiras. Faço também uma observação aos empresários pequenos e médios, vale a pena pesquisar se seu público localizado está assistindo esse tipo de Canal e se descobrir que esse público se interessa por esses canais dirigidos, começar a utilizá-los como veículos de propaganda.

Monday, November 13, 2006

Os feriados, a consciência negra e os impostos que pagamos



Ao findar de 2005 avisei a todos os empresários os quais tenho contato para os perigos dos feriados que nesse ano teríamos. Menos é claro para meus amigos da TAM e outros que operam no ramo de turismo, pois, esses amigos empresários em feriados de prolongados são agraciados com mais e mais vendas. Porém, excetuando os operadores de turismo, os feriados derrubam as vendas, destroem a seqüência da semana e para aqueles que não podem por algum motivo viajar, é um porre ficar mais um dia sem nada para fazer. Não bastassem tantos feriados, desnecessários, a cidade de São Paulo decretou mais um desde 2004: dia da Consciência Negra, para que todos os paulistanos, nesse dia consagrado ao negro, vinte de novembro, lembrem dos desmandos que foram (foram?) realizados com os negros que eram (eram?) escravos.
Os impostos e os feriados
Está na hora do Brasil repensar duas coisas: as datas dos feriados e os impostos. Tempos idos, um deputado aprovou na Câmara Federal a mudança de datas para os feriados. Copiando o modelo de países desenvolvidos, os quais, todos os feriados que caíssem durante a semana seriam automaticamente transferidos para as segundas ou sextas feiras. Claro que essa lei acabou revogada pelas retrógradas mentes que comandam esse país. Os contrários às mudanças modernas coincidentemente, são aqueles que não pagam impostos. Se esses que revogaram essa lei pagassem os quase quarenta por cento dos impostos que pagam aqueles que necessitam ter suas portas abertas para vender, cujas vendas, são necessárias para sua sobrevivência, pensariam duas vezes antes de mexer com uma lei que sempre deu certo nos países os quais somos secularmente devedores.

As manifestações populares e os impostos
Jamais serei contra nenhuma manifestação popular, desde que, essa manifestação não cause os problemas que o feriado da Consciência Negra está causando. Explico. Estamos ao findar de mais um ano sem crescimento adequado para melhoria das relações empresas/trabalhadores. Sabemos por análise que, para que o trabalhador possa reinvindicar melhor condições de trabalho, as empresas necessitam ter maiores lucros. Pergunto: como ter maiores lucros se, com exceção daquelas empresas ligadas ao turismo, não podem aproveitar os referidos feriados. Mesmo essas empresas ligadas ao turismo, pergunto: se a população não tiver melhores salários, as viagens sonhadas se transformarão em realidade? Creio na necessidade daqueles que pagam impostos, em ver reeditada aquela lei sobre a transferência dos feriados. Creio também, na necessidade de editação de uma outra lei que faça com que feriados nacionais sejam transformados em comemorações, mas, que todos aqueles que pagam seus impostos possam abrir seus negócios e vender suas mercadorias, pois, em nenhum momento, esses legisladores que aprovam os feriados, colocam um parágrafo na lei que possibilite ao empregador descontar dos impostos do mês os dias que a empresa ficou parada.

O feriado da Consciência Negra
Existem feriados que não coincide nacionalmente. Datas de fundações de cidades, datas de comemorações religiosas, datas de conscientizações populares. Para que o Brasil atinja a maturidade comercial, nossos legisladores deveriam acabar com feriados estaduais e municipais, mantendo, no entanto, a solenidade da data, afinal, os interessados nas referidas comemorações o fariam sem prejudicar as empresas. Os feriados nacionais deveriam ser comemorados às segundas ou sextas feiras, com as duas únicas exceções que seriam: Natal e Ano Novo. Outra opção seria a manutenção desse desnecessário volume de feriados, mas, com os referidos descontos nos impostos a serem pagos, ou seja, dois feriados no mês, menos dois dias de impostos. Será que, quando é para mexer no fluxo de caixa dos governos eles topam a perda que os empresários estão sempre expostos?

Ter de fato a Consciência de um Negro
Quanto ao feriado da próxima segunda feira na cidade de São Paulo, sugiro como bisneto de negros, que o movimento popular negro, inicie além da reenvidicação da paralisação da máquina que representa mais de trinta e cinco por cento do PIB nacional (parando a Capital, pára o Estado), faça voz diante dos comandos das mídias televisivas e cinematográficas, para que o negro não seja sempre o vilão de seus espetáculos. Somente como exemplo. Temos ainda no ar uma novela cujo negro, diante da possibilidade de ter herdado “mesmo que por safadeza” um império fictício denominado no folhetim “Luxus”, ao invés do escritor ser pressionado pela Consciência Negra para que, o personagem “Foguinho” (que pode lembrar fogo que queima ou quem está de “porre”) representasse para o telespectador que assiste, durante mais de seis meses de exposição na mídia, alguém decente, ético, com pensamento voltado aos seus funcionários, entre outras consciências positivas. Afinal, o escritor criou um personagem que tinha à sua disposição poder para construir o positivo. Ao ver o lado positivo daquele negro, os telespectadores desse folhetim criassem como decorrência, uma consciência de que, um negro que diante do poder, teria a competência de fazer o bem para a coletividade.
Pressionando o lado errado que envolver a Consciência Negra
Ao invés de criar mais um feriado (safadeza política ou conscientização do negro?), o movimento da Consciência optou mais uma vez por não pressionar os escritores e diretores que expõem os negros ao ridículo ou ao banditismo. Pela falta de pressão do movimento da Consciência Negra, o referido personagem foi travestido de um negro safado, ignorante, pernicioso, mau pai, péssimo marido, empresário com idéias imbecis, entre outras façanhas nada abonadoras a imagem do negro. Imaginem outras raças? Qual a consciência percebida sobre o negro, diante das patéticas ações desse personagem. Está na hora desse movimento que consegue paralisar o Estado de São Paulo, fazer com que os negros expostos nas mídias diárias ou nos eventos cinematográficos, possam ser apresentados como uma maravilhosa raça que, como qualquer outra, possui em sua alma o sublime poder da bondade, da ética, da busca pela melhoria intelectual, entre outros atributos memoráveis. O movimento dessa Consciência deveria estar sempre pressionando aqueles que detém a exposição de qualquer tipo de mídia, para não insistirem em colocar em destaque os piores bandidos com a pele negra e os mocinhos com a pele branca. Esses esforços com certeza no decorrer dos tempos poderiam criar a Consciência de que o Negro não é aquele que as mídias demonstram e sim, aquele alto e forte, negro, ex-escravo, que alimentou, educou e deu sentido a vida de meu avô.