Monday, November 13, 2006

Os feriados, a consciência negra e os impostos que pagamos



Ao findar de 2005 avisei a todos os empresários os quais tenho contato para os perigos dos feriados que nesse ano teríamos. Menos é claro para meus amigos da TAM e outros que operam no ramo de turismo, pois, esses amigos empresários em feriados de prolongados são agraciados com mais e mais vendas. Porém, excetuando os operadores de turismo, os feriados derrubam as vendas, destroem a seqüência da semana e para aqueles que não podem por algum motivo viajar, é um porre ficar mais um dia sem nada para fazer. Não bastassem tantos feriados, desnecessários, a cidade de São Paulo decretou mais um desde 2004: dia da Consciência Negra, para que todos os paulistanos, nesse dia consagrado ao negro, vinte de novembro, lembrem dos desmandos que foram (foram?) realizados com os negros que eram (eram?) escravos.
Os impostos e os feriados
Está na hora do Brasil repensar duas coisas: as datas dos feriados e os impostos. Tempos idos, um deputado aprovou na Câmara Federal a mudança de datas para os feriados. Copiando o modelo de países desenvolvidos, os quais, todos os feriados que caíssem durante a semana seriam automaticamente transferidos para as segundas ou sextas feiras. Claro que essa lei acabou revogada pelas retrógradas mentes que comandam esse país. Os contrários às mudanças modernas coincidentemente, são aqueles que não pagam impostos. Se esses que revogaram essa lei pagassem os quase quarenta por cento dos impostos que pagam aqueles que necessitam ter suas portas abertas para vender, cujas vendas, são necessárias para sua sobrevivência, pensariam duas vezes antes de mexer com uma lei que sempre deu certo nos países os quais somos secularmente devedores.

As manifestações populares e os impostos
Jamais serei contra nenhuma manifestação popular, desde que, essa manifestação não cause os problemas que o feriado da Consciência Negra está causando. Explico. Estamos ao findar de mais um ano sem crescimento adequado para melhoria das relações empresas/trabalhadores. Sabemos por análise que, para que o trabalhador possa reinvindicar melhor condições de trabalho, as empresas necessitam ter maiores lucros. Pergunto: como ter maiores lucros se, com exceção daquelas empresas ligadas ao turismo, não podem aproveitar os referidos feriados. Mesmo essas empresas ligadas ao turismo, pergunto: se a população não tiver melhores salários, as viagens sonhadas se transformarão em realidade? Creio na necessidade daqueles que pagam impostos, em ver reeditada aquela lei sobre a transferência dos feriados. Creio também, na necessidade de editação de uma outra lei que faça com que feriados nacionais sejam transformados em comemorações, mas, que todos aqueles que pagam seus impostos possam abrir seus negócios e vender suas mercadorias, pois, em nenhum momento, esses legisladores que aprovam os feriados, colocam um parágrafo na lei que possibilite ao empregador descontar dos impostos do mês os dias que a empresa ficou parada.

O feriado da Consciência Negra
Existem feriados que não coincide nacionalmente. Datas de fundações de cidades, datas de comemorações religiosas, datas de conscientizações populares. Para que o Brasil atinja a maturidade comercial, nossos legisladores deveriam acabar com feriados estaduais e municipais, mantendo, no entanto, a solenidade da data, afinal, os interessados nas referidas comemorações o fariam sem prejudicar as empresas. Os feriados nacionais deveriam ser comemorados às segundas ou sextas feiras, com as duas únicas exceções que seriam: Natal e Ano Novo. Outra opção seria a manutenção desse desnecessário volume de feriados, mas, com os referidos descontos nos impostos a serem pagos, ou seja, dois feriados no mês, menos dois dias de impostos. Será que, quando é para mexer no fluxo de caixa dos governos eles topam a perda que os empresários estão sempre expostos?

Ter de fato a Consciência de um Negro
Quanto ao feriado da próxima segunda feira na cidade de São Paulo, sugiro como bisneto de negros, que o movimento popular negro, inicie além da reenvidicação da paralisação da máquina que representa mais de trinta e cinco por cento do PIB nacional (parando a Capital, pára o Estado), faça voz diante dos comandos das mídias televisivas e cinematográficas, para que o negro não seja sempre o vilão de seus espetáculos. Somente como exemplo. Temos ainda no ar uma novela cujo negro, diante da possibilidade de ter herdado “mesmo que por safadeza” um império fictício denominado no folhetim “Luxus”, ao invés do escritor ser pressionado pela Consciência Negra para que, o personagem “Foguinho” (que pode lembrar fogo que queima ou quem está de “porre”) representasse para o telespectador que assiste, durante mais de seis meses de exposição na mídia, alguém decente, ético, com pensamento voltado aos seus funcionários, entre outras consciências positivas. Afinal, o escritor criou um personagem que tinha à sua disposição poder para construir o positivo. Ao ver o lado positivo daquele negro, os telespectadores desse folhetim criassem como decorrência, uma consciência de que, um negro que diante do poder, teria a competência de fazer o bem para a coletividade.
Pressionando o lado errado que envolver a Consciência Negra
Ao invés de criar mais um feriado (safadeza política ou conscientização do negro?), o movimento da Consciência optou mais uma vez por não pressionar os escritores e diretores que expõem os negros ao ridículo ou ao banditismo. Pela falta de pressão do movimento da Consciência Negra, o referido personagem foi travestido de um negro safado, ignorante, pernicioso, mau pai, péssimo marido, empresário com idéias imbecis, entre outras façanhas nada abonadoras a imagem do negro. Imaginem outras raças? Qual a consciência percebida sobre o negro, diante das patéticas ações desse personagem. Está na hora desse movimento que consegue paralisar o Estado de São Paulo, fazer com que os negros expostos nas mídias diárias ou nos eventos cinematográficos, possam ser apresentados como uma maravilhosa raça que, como qualquer outra, possui em sua alma o sublime poder da bondade, da ética, da busca pela melhoria intelectual, entre outros atributos memoráveis. O movimento dessa Consciência deveria estar sempre pressionando aqueles que detém a exposição de qualquer tipo de mídia, para não insistirem em colocar em destaque os piores bandidos com a pele negra e os mocinhos com a pele branca. Esses esforços com certeza no decorrer dos tempos poderiam criar a Consciência de que o Negro não é aquele que as mídias demonstram e sim, aquele alto e forte, negro, ex-escravo, que alimentou, educou e deu sentido a vida de meu avô.

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