Tuesday, February 13, 2007

As lições que a China nos ensina, mas...A LIÇÃO...


...SABEMOS DE COR SÓ NOS RESTA APRENDER.
Nada melhor do que iniciar esse blog com uma frase do poeta, para que possamos entender onde “pecamos” durante décadas nas questões comerciais que, infelizmente, desencadearam todas as questões sociais por nós vividas na atualidade.



Continuando o blog da semana passada


Havia terminado o blog passado dizendo que outros assuntos foram debatidos no encontro com nosso Embaixador na China, Doutor Luiz Augusto da Costa Neves, na FIEMG. Agora vou finalizar aquele memorável encontro. Uma das reclamações de nosso Embaixador foi para o descaso dos exportadores brasileiros com coisas simples. Citou, por exemplo, o caso das embalagens. Segundo Costa Neves, um dos produtos que os chineses gostam e pagam caro por ele, são os miúdos de frango, tais como: pescoço, pé e cabeça. Exatamente o que a grande maioria dos brasileiros jogam fora. Como esses miúdos de frango são por demais consumidos, sugeriu para todos os exportadores nacionais que começassem a embalar e vender esses produtos, pois, além de aumentarem as vendas, aumentariam a rentabilidade por ser um produto que o chinês gosta e paga muito mais caro do que o restante do frango. Costa Neves teve uma desagradável surpresa depois de dar essa sugestão: os importadores chineses mostraram a ele que os nossos exportadores haviam colocado esses miúdos, parte nobre do frango para aquele povo, em saquinhos plásticos comuns. Essa desastrada ação de marketing deixava o produto com uma péssima aparência. Ao descongelar aquela embalagem os saquinhos plásticos ao desgrudarem-se um dos outros, rasgavam e os miúdos ficavam caídos pelas gôndolas dos supermercados. Diante desse desagradável fato comercial, os órgãos sanitários chineses mandaram recolher a mercadoria. A LIÇÃO SABEMOS DE COR SÓ NOS RESTA APRENDER.

Desde 2004 a China exporta mais para América Latina em relação ao Brasil

Infelizmente, o Brasil perdeu a primeira posição de exportador para a América Latina. Perguntou o Embaixador: como o Brasil pode exportar menos estando no mesmo continente, se a China está eqüidistante e consegue melhores preços. Bem, essa resposta sabemos de cor. Leis trabalhistas brasileiras draconianas que prejudicam o próprio trabalhador elevam por demais os custos operacionais dos produtos, impostos pesados, custo do dinheiro sendo um dos mais caros do planeta, impedindo que o exportador possa crescer sua produção e continuar com seu capital de giro naturalmente, até o recebimento da venda, entre outros sabidos por todos nós. Um exemplo da ineficácia nacional: afirmou o Embaixador que os chineses solicitaram do Governo brasileiro uma lista dos fiscais que atestam em nosso país que os produtos perecíveis, que são exportados para China, são realmente inspecionados por aqueles fiscais, tendo em ofício brasileiro suas devidas assinaturas. Essa ação é para evitar qualquer tipo fraude, pois, assim que os produtos fossem chegando aos portos chineses seria verificada a autenticidade da documentação e a autorização de entrada seria imediata. O Governo brasileiro até o presente momento não providenciou essa lista e ainda taxou a solicitação (que beneficiaria nossos exportadores) de altamente burocrática. Ao inverso da China onde mesmo sendo um gigante comercial, por não perder o CONTROLE DO PROCESSO, tudo caminha rapidamente. E por falar em benefício aos trabalhadores, apenas comparando: trabalhadores brasileiros possuem benefícios maiores que os norte-americanos e, comparando de novo: não temos a riqueza que eles têm, mas, temos maiores impostos, maiores juros e menor investimento em educação, segurança e tantos outros benefícios que precisamos comprar da iniciativa privada, fato este que aumenta ainda mais o Custo Brasil. A LIÇÃO SABEMOS DE COR.....

A lição para todos nós brasileiros: aumentar nossa poupança

Diante de várias reclamações de diversos sindicatos presentes nas questões que envolvem a desvalorização da moeda chinesa frente ao dólar americano o Embaixador citou diversos temas, dentro os quais que há um interesse do Governo Brasileiro em manter esse status quo em relação à moeda americana para que se mantenha a inflação nacional em baixa. Naquele momento pediu a palavra o ilustríssimo Ministro Camilo Pena que reafirmou a fala do Embaixador. Tendo em ato contínuo o Vice-Presidente da FIEMG, Doutor Flávio Roscoe endossados ambas as afirmativas. E Embaixador disse para quem quisesse ouvir que o problema ainda é nosso, por não termos poupança interna para “bancar” estratégias de mercado como fazem diversos países no mundo, inclusive a China. Declaro: como consultor que, infelizmente, essa é uma realidade não somente do Brasil e sim, de milhões de empresas latino-americanas que por não terem um giro de caixa excedente, não conseguem enfrentar concorrentes internacionais que, por manterem um fluxo elevado, consegue fazer as mais diversas estratégias mercadológicas. Outra saída o caso são empréstimos realizados com juros internacionais. Conversando no intervalo com o presidente do Sindivest Doutor Michel Aburachid, ele de fato confirmou que nossa moeda está muito defasada em relação ao dólar americano.

Pesquisas comprovam a fraqueza do dólar em relação ao real

Segundo estudo publicado no site do BNDES, a desvalorização do dólar frente ao real, vem estimulando nas empresas nacionais uma maior produtividade, por encontrarem no mercado mundial de fornecimento dos insumos, produtos importados baratos, fato esse que, segundo empresários, compensam perdas com real valorizado. Segundo a mesma pesquisa, mais da metade das exportações brasileiras do setor industrial - 61,8% - pouco ou nada perde, em muitos dos casos estudados, até ganham com o dólar fraco. Setores químicos, eletrônicos e de comunicações, estão aproveitando o momento do dólar fraco para se abastecer de insumos, tendo como contrapartida exportações com valores competitivos no cenário internacional. Informa essa pesquisa que os 38,2% restantes estão perdendo mercado pelo mesmo problema. Os mais atingidos são calçados, alimentos e bebidas, que diante do problema perderam competitividade. Novamente, fez uma declaração surpreendente nosso Embaixador, afirmando que uma grande parte dos calçados chineses são fabricados por gaúchos que estabeleceram fábricas na China, aproveitando todas as facilidades que o Brasil nunca ofereceu para eles, tendo como prerrogativa positiva, aqueles gaúchos, ganhos expressivos de vendas no mercado mundial, exportando a preços competitivos para a própria América Latina. Um recente estudo realizado por um Banco Australiano, que utilizou o novo referencial não científico, o efeito Ipod. Demonstrou que esse produto mundial por ser uma referência internacional de produção devendo ser por isso vendido com preços igualitários, está custando no Brasil $327.71, na União Européia $192.86 e na China $179.84, ou seja, ostenta e dois por cento mais barato. Esse estudo vem substituindo o antigo valor Big Mac, utilizado para medir variações de câmbio interpaíses desde 1986.

O futuro do câmbio para 2008

Um dos mais respeitados economistas pertencente aos quadros analíticos do BNDES, Fernando Pimentel Puga, afirmou recentemente que câmbio sobre as exportações industriais não deve ser medido apenas pelo impacto sobre o total exportado. Segundo ele, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria reforçou a tese. No ano passado, 53% das empresas passaram a importar mais insumos. Tal movimento deve provocar uma leve aceleração no ritmo de desvalorização do real nos próximos anos. O banco West LB prevê o dólar em R$ 2,30 em 2008 - hoje está em R$ 2,10. O fôlego, porém, não deve passar disso. A tendência de que o dólar continuará baixo frente às moedas locais é mundial. O West LB mostra também que entre as 70 principais moedas do mundo, o real apresentou a 32 maior apreciação desde janeiro de 2002, com alta de 9,97%. "Tem-se a percepção de que o Brasil teve uma valorização maior por causa da grande desvalorização de 2002". Essa afirmativa partiu do diretor-executivo do banco, Ricardo Amorim.

A classe média chinesa será responsável pela democracia na China

Ao findar das perguntas uma não poderia faltar: essa China que não perde o CONTROLE DO PROCESSO um dia será democrática? O Embaixador contou um fato interessante. Disse ele que, aquele chinês que fez parar um tanque de guerra na Praça da Paz Celestial, depois de todos as punições, retornou as atividades de professor, solicitou posteriormente uma bolsa de estudos em Harvard, tendo a China além de aceitado a solicitação, ainda pagado seus estudos e hoje, aquele aguerrido chinês, é uma importante figura no primeiro escalão do Partido Central Chinês. Finalizando sua história, segundo o Embaixador, esse chinês afirmou que o crescimento da classe média chinesa que deverá ultrapassar meio bilhão de pessoas em 2025, será essa classe a responsável pela democracia chinesa, pois, no mundo todo, a democracia é determinada pela classe média de cada país. Afirmação do nosso Embaixador. Será ver para crer.

Não percam no próximo blog: A ditaduras somente ganham fôlego quando conseguem destruir a classe média, tendo o inverso como verdade universal.

Tuesday, February 06, 2007

CONTROLE DO PROCESSO - ASSIM A CHINA DOMINARÁ O MUNDO COMERCIAL


Mais uma vez, graças ao convite da FIEMG, por meio de um de seus diretores, Doutor Michel Aburachid, tive o prazer de assistir a uma conferência do Embaixador do Brasil na China, Doutor Luiz Augusto da Costa Neves, onde todos os participantes foram agraciados com as mais recentes informações sobre as relações bilaterais Brasil/China. A oportunidade a mim dada não podia ter sido melhor, por ter há meses pretéritos, assistido uma outra conferência no sentido inverso: o Embaixador chinês no Brasil, Doutor Chen Duqing. Agora posso avaliar os dois lados da moeda. Minha expectativa a respeito do encontro era de um Embaixador brasileiro defendendo durante a conferência o Governo atual. Expectativa errada. Doutor Luiz Augusto demonstrou como estão despreparados nossos governantes, pois, durante a conferência o que se ouviu dele, diante de tantas reclamações contra a invasão chinesa foi: “isso não é culpa dos chineses e sim nossa”. Nunca fazemos nossos para casa “. Primeira observação minha: "NÃO TEMOS CONTROLE DO PROCESSO".


A China ganhará o mercado internacional com marca própria


Nosso Embaixador destacou que o interesse chinês não é se transformar em uma grande fábrica de produtos estrangeiros e sim, com o tempo, estar fabricando produtos próprios para atender a uma demanda que em 2025 terá meio bilhão de chineses pertencentes à classe média. Classe esta que em 2006 chegou ao número surpreendente de cem milhões de chineses. Como exemplo de um classe média chinês o Embaixador destacou o salário de um engenheiro sênior hoje recebendo mensalmente US$4.100,00, que se tiver necessidade de pagar uma babá, pagará com carteira de trabalho de oito horas, US$ 150,00 por mês. Entende Doutor Costa Neves que a China está aberta a novos desafios que é importar muito para exportar muito mais, deixando as riquezas para serem divididas pelos mais de um bilhão e trezentos milhões de chineses.


A modernidade é o que determina o crescimento da China


Reforçou nosso Embaixador que a China aceitou a internacionalização de produtos, e foi sabedora que em um computador se torna impossível a auto-suficiência, tanto é verdade que em 2006 a China exportou US$ 700 bilhões e importou US$ 600 bilhões de dólares nos mais diversos setores de atividades. Dessas exportações 58% foram realizadas pelas empresas transnacionais. Hoje o saldo comercial chinês chega a cem bilhões de dólares, porém, a maior parte não pertence à China. Outro exemplo rumo a construção de sua própria marca: a China produziu sete milhões de veículos populares chamados QIQI, para atender a essa crescente demanda interna, tendo como destaque a alta tecnologia que está sendo empregada nos veículos. Em exemplo diferencial de qualidade, fez o Embaixador referência à distinção entre o carro Mercedes Bens da Embaixada e o um carro fabricado por lá. Enquanto o primeiro é apenas um carro de luxo, o segundo tem até vídeo no painel, sendo que, ao acionar a marcha ré, aparece para o motorista, por meio de uma câmara que é ligada simultaneamente com a ré, a imagem do que está acontecendo atrás de seu veículo para que o motorista possa saber a distância que há entre seu carro, em relação ao carro que está estacionado.


A idéia de proibir a entrada de produtos chineses no Brasil


Diante da grandeza dos números que se descortinavam, foi apresentada a idéia de por um fim nessa “farra” chinesa de vender o que bem entende para o Brasil sempre muito mais barato. O Embaixador ao ouvir sobre a idéia ponderou que poderia ser uma saída, mas, que deveríamos ter atenção sobre a participação da China no crescimento do Brasil em 2006 que foi de 0,8% de todo o pífio crescimento que tivemos. Reforçando ainda que uma retaliação com certeza haveria por parte da China, pois, estaríamos "brigando” com um gigante que participava com menos de 1% nos anos oitenta e agora participa com 7% de toda a economia global. China que em 2012 passará o Japão, tornando-se a terceira potencia mundial. Com muita elegância Doutor Costa Neves salientou que o Brasil deveria utilizar as deficiências chinesas e tornar-se ainda mais seu aliado, pois, os chineses não olham o Brasil senão como um parceiro apoiador. Um exemplo dado pelo Embaixador: diante de necessidade de construção de 31 centrais nucleares, o Brasil poderia ser seu parceiro em vendas de urânio enriquecido, estagio que dominamos. Ou mesmo, continuarmos a ser o maior exportador de alimentos para a China. Entre outras tantas necessidades chinesas que deveríamos aproveitar sendo sempre seu parceiro estratégico, ao invés de nos tornarmos seus algozes. Mesmo porque arrematou em sua exposição o esclarecido Embaixador: diante da internacionalização dos produtos, onde em apenas um computador muitas empresas de muitos países participam, o protecionismo deixou de ser eficaz.


Existe outra forma de frear esse gigante?


Ao ouvir essa pergunta nosso Embaixador foi enfático: NÃO. Argumentou de maneira clara que o problema entre as relações China e Brasil, o Brasil possui uma vocação perene em não resolver suas questões internas e ficar, desde há quinhentos anos atrás, culpando as outras Nações. Deu um exemplo no qual os presentes ficaram boquiabertos. Disse Doutor Costa Neves: tenho um parceiro chinês que produz em sua fábrica produtos similares ao que são produzindo no Brasil. Ocorre que a legislação trabalhista chinesa é muito mais moderna que a brasileira, possibilitando que a fábrica, desse meu amigo, funcione durante vinte e quatro horas, seis dias por semana, tendo dez feriados por ano, tendo a mão de obra todas as garantias trabalhistas autorizadas pelos sindicatos chineses. Agindo dessa forma os sindicatos consegue flexibilizar empregos, necessidade esta que devem atender a demanda de 10 milhões de empregos por ano, para assentar no meio urbano os 44% dos migrantes rurais que hoje fazem parte do cenário urbano. Para ter CONTROLE DO PROCESSO a China tem o desafio de arrumar emprego para esses migrantes que se transformarão na futura classe média de mais de meio bilhão de chineses, caso não o faça perderá CONTROLE DO PROCESSO, permitindo a o desemprego que gera marginalidade, que leva a violência para os centros urbanos. Portanto, o sucesso da China se faz com a participação efetiva do Estado, que permite a abertura de uma empresa em apenas três dias, levando o mesmo tempo para fechá-la. Que os sindicatos estão envolvidos com o Governo na busca de empregos para seus associados, utilizando leis melhores que nossas leis trabalhistas. Agindo assim a economia chinesa vem dobrando a cada sete anos, algo somente comparado ao período norte-americano de 1870 a 1918.


Caro leitor, a continuidade será no próximo blog


Para que o artigo não fique enfadonho continuarei na próxima semana com os seguintes temas:
A classe média chinesa será a responsável pela consolidação da democracia na China; o ministro Camilo Pena fez uma revelação contundente, averbada pelo Doutor Flávio Roscoe, Vice Presidente da FIEMG; o descaso brasileiro para com as exportações que agregam valores aos produtos; como desde 2004 a China vem exportando mais para a América Latina em relação ao Brasil; países e empresas tendo dinheiro em caixa, estão ganhando mercado; a questão da moeda chinesa defasada em relação ao dólar e o inverso com a moeda brasileira; a solução para nossos problemas seria ao menos ter um processo coerente de crescimento, já que não temos controle nenhum, sobre nenhum processo.