
...SABEMOS DE COR SÓ NOS RESTA APRENDER.
Nada melhor do que iniciar esse blog com uma frase do poeta, para que possamos entender onde “pecamos” durante décadas nas questões comerciais que, infelizmente, desencadearam todas as questões sociais por nós vividas na atualidade.
Nada melhor do que iniciar esse blog com uma frase do poeta, para que possamos entender onde “pecamos” durante décadas nas questões comerciais que, infelizmente, desencadearam todas as questões sociais por nós vividas na atualidade.
Continuando o blog da semana passada
Havia terminado o blog passado dizendo que outros assuntos foram debatidos no encontro com nosso Embaixador na China, Doutor Luiz Augusto da Costa Neves, na FIEMG. Agora vou finalizar aquele memorável encontro. Uma das reclamações de nosso Embaixador foi para o descaso dos exportadores brasileiros com coisas simples. Citou, por exemplo, o caso das embalagens. Segundo Costa Neves, um dos produtos que os chineses gostam e pagam caro por ele, são os miúdos de frango, tais como: pescoço, pé e cabeça. Exatamente o que a grande maioria dos brasileiros jogam fora. Como esses miúdos de frango são por demais consumidos, sugeriu para todos os exportadores nacionais que começassem a embalar e vender esses produtos, pois, além de aumentarem as vendas, aumentariam a rentabilidade por ser um produto que o chinês gosta e paga muito mais caro do que o restante do frango. Costa Neves teve uma desagradável surpresa depois de dar essa sugestão: os importadores chineses mostraram a ele que os nossos exportadores haviam colocado esses miúdos, parte nobre do frango para aquele povo, em saquinhos plásticos comuns. Essa desastrada ação de marketing deixava o produto com uma péssima aparência. Ao descongelar aquela embalagem os saquinhos plásticos ao desgrudarem-se um dos outros, rasgavam e os miúdos ficavam caídos pelas gôndolas dos supermercados. Diante desse desagradável fato comercial, os órgãos sanitários chineses mandaram recolher a mercadoria. A LIÇÃO SABEMOS DE COR SÓ NOS RESTA APRENDER.
Desde 2004 a China exporta mais para América Latina em relação ao Brasil
Infelizmente, o Brasil perdeu a primeira posição de exportador para a América Latina. Perguntou o Embaixador: como o Brasil pode exportar menos estando no mesmo continente, se a China está eqüidistante e consegue melhores preços. Bem, essa resposta sabemos de cor. Leis trabalhistas brasileiras draconianas que prejudicam o próprio trabalhador elevam por demais os custos operacionais dos produtos, impostos pesados, custo do dinheiro sendo um dos mais caros do planeta, impedindo que o exportador possa crescer sua produção e continuar com seu capital de giro naturalmente, até o recebimento da venda, entre outros sabidos por todos nós. Um exemplo da ineficácia nacional: afirmou o Embaixador que os chineses solicitaram do Governo brasileiro uma lista dos fiscais que atestam em nosso país que os produtos perecíveis, que são exportados para China, são realmente inspecionados por aqueles fiscais, tendo em ofício brasileiro suas devidas assinaturas. Essa ação é para evitar qualquer tipo fraude, pois, assim que os produtos fossem chegando aos portos chineses seria verificada a autenticidade da documentação e a autorização de entrada seria imediata. O Governo brasileiro até o presente momento não providenciou essa lista e ainda taxou a solicitação (que beneficiaria nossos exportadores) de altamente burocrática. Ao inverso da China onde mesmo sendo um gigante comercial, por não perder o CONTROLE DO PROCESSO, tudo caminha rapidamente. E por falar em benefício aos trabalhadores, apenas comparando: trabalhadores brasileiros possuem benefícios maiores que os norte-americanos e, comparando de novo: não temos a riqueza que eles têm, mas, temos maiores impostos, maiores juros e menor investimento em educação, segurança e tantos outros benefícios que precisamos comprar da iniciativa privada, fato este que aumenta ainda mais o Custo Brasil. A LIÇÃO SABEMOS DE COR.....
A lição para todos nós brasileiros: aumentar nossa poupança
Diante de várias reclamações de diversos sindicatos presentes nas questões que envolvem a desvalorização da moeda chinesa frente ao dólar americano o Embaixador citou diversos temas, dentro os quais que há um interesse do Governo Brasileiro em manter esse status quo em relação à moeda americana para que se mantenha a inflação nacional em baixa. Naquele momento pediu a palavra o ilustríssimo Ministro Camilo Pena que reafirmou a fala do Embaixador. Tendo em ato contínuo o Vice-Presidente da FIEMG, Doutor Flávio Roscoe endossados ambas as afirmativas. E Embaixador disse para quem quisesse ouvir que o problema ainda é nosso, por não termos poupança interna para “bancar” estratégias de mercado como fazem diversos países no mundo, inclusive a China. Declaro: como consultor que, infelizmente, essa é uma realidade não somente do Brasil e sim, de milhões de empresas latino-americanas que por não terem um giro de caixa excedente, não conseguem enfrentar concorrentes internacionais que, por manterem um fluxo elevado, consegue fazer as mais diversas estratégias mercadológicas. Outra saída o caso são empréstimos realizados com juros internacionais. Conversando no intervalo com o presidente do Sindivest Doutor Michel Aburachid, ele de fato confirmou que nossa moeda está muito defasada em relação ao dólar americano.
Pesquisas comprovam a fraqueza do dólar em relação ao real
Segundo estudo publicado no site do BNDES, a desvalorização do dólar frente ao real, vem estimulando nas empresas nacionais uma maior produtividade, por encontrarem no mercado mundial de fornecimento dos insumos, produtos importados baratos, fato esse que, segundo empresários, compensam perdas com real valorizado. Segundo a mesma pesquisa, mais da metade das exportações brasileiras do setor industrial - 61,8% - pouco ou nada perde, em muitos dos casos estudados, até ganham com o dólar fraco. Setores químicos, eletrônicos e de comunicações, estão aproveitando o momento do dólar fraco para se abastecer de insumos, tendo como contrapartida exportações com valores competitivos no cenário internacional. Informa essa pesquisa que os 38,2% restantes estão perdendo mercado pelo mesmo problema. Os mais atingidos são calçados, alimentos e bebidas, que diante do problema perderam competitividade. Novamente, fez uma declaração surpreendente nosso Embaixador, afirmando que uma grande parte dos calçados chineses são fabricados por gaúchos que estabeleceram fábricas na China, aproveitando todas as facilidades que o Brasil nunca ofereceu para eles, tendo como prerrogativa positiva, aqueles gaúchos, ganhos expressivos de vendas no mercado mundial, exportando a preços competitivos para a própria América Latina. Um recente estudo realizado por um Banco Australiano, que utilizou o novo referencial não científico, o efeito Ipod. Demonstrou que esse produto mundial por ser uma referência internacional de produção devendo ser por isso vendido com preços igualitários, está custando no Brasil $327.71, na União Européia $192.86 e na China $179.84, ou seja, ostenta e dois por cento mais barato. Esse estudo vem substituindo o antigo valor Big Mac, utilizado para medir variações de câmbio interpaíses desde 1986.
O futuro do câmbio para 2008
Um dos mais respeitados economistas pertencente aos quadros analíticos do BNDES, Fernando Pimentel Puga, afirmou recentemente que câmbio sobre as exportações industriais não deve ser medido apenas pelo impacto sobre o total exportado. Segundo ele, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria reforçou a tese. No ano passado, 53% das empresas passaram a importar mais insumos. Tal movimento deve provocar uma leve aceleração no ritmo de desvalorização do real nos próximos anos. O banco West LB prevê o dólar em R$ 2,30 em 2008 - hoje está em R$ 2,10. O fôlego, porém, não deve passar disso. A tendência de que o dólar continuará baixo frente às moedas locais é mundial. O West LB mostra também que entre as 70 principais moedas do mundo, o real apresentou a 32 maior apreciação desde janeiro de 2002, com alta de 9,97%. "Tem-se a percepção de que o Brasil teve uma valorização maior por causa da grande desvalorização de 2002". Essa afirmativa partiu do diretor-executivo do banco, Ricardo Amorim.
A classe média chinesa será responsável pela democracia na China
Ao findar das perguntas uma não poderia faltar: essa China que não perde o CONTROLE DO PROCESSO um dia será democrática? O Embaixador contou um fato interessante. Disse ele que, aquele chinês que fez parar um tanque de guerra na Praça da Paz Celestial, depois de todos as punições, retornou as atividades de professor, solicitou posteriormente uma bolsa de estudos em Harvard, tendo a China além de aceitado a solicitação, ainda pagado seus estudos e hoje, aquele aguerrido chinês, é uma importante figura no primeiro escalão do Partido Central Chinês. Finalizando sua história, segundo o Embaixador, esse chinês afirmou que o crescimento da classe média chinesa que deverá ultrapassar meio bilhão de pessoas em 2025, será essa classe a responsável pela democracia chinesa, pois, no mundo todo, a democracia é determinada pela classe média de cada país. Afirmação do nosso Embaixador. Será ver para crer.
Não percam no próximo blog: A ditaduras somente ganham fôlego quando conseguem destruir a classe média, tendo o inverso como verdade universal.
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