Tuesday, February 06, 2007

CONTROLE DO PROCESSO - ASSIM A CHINA DOMINARÁ O MUNDO COMERCIAL


Mais uma vez, graças ao convite da FIEMG, por meio de um de seus diretores, Doutor Michel Aburachid, tive o prazer de assistir a uma conferência do Embaixador do Brasil na China, Doutor Luiz Augusto da Costa Neves, onde todos os participantes foram agraciados com as mais recentes informações sobre as relações bilaterais Brasil/China. A oportunidade a mim dada não podia ter sido melhor, por ter há meses pretéritos, assistido uma outra conferência no sentido inverso: o Embaixador chinês no Brasil, Doutor Chen Duqing. Agora posso avaliar os dois lados da moeda. Minha expectativa a respeito do encontro era de um Embaixador brasileiro defendendo durante a conferência o Governo atual. Expectativa errada. Doutor Luiz Augusto demonstrou como estão despreparados nossos governantes, pois, durante a conferência o que se ouviu dele, diante de tantas reclamações contra a invasão chinesa foi: “isso não é culpa dos chineses e sim nossa”. Nunca fazemos nossos para casa “. Primeira observação minha: "NÃO TEMOS CONTROLE DO PROCESSO".


A China ganhará o mercado internacional com marca própria


Nosso Embaixador destacou que o interesse chinês não é se transformar em uma grande fábrica de produtos estrangeiros e sim, com o tempo, estar fabricando produtos próprios para atender a uma demanda que em 2025 terá meio bilhão de chineses pertencentes à classe média. Classe esta que em 2006 chegou ao número surpreendente de cem milhões de chineses. Como exemplo de um classe média chinês o Embaixador destacou o salário de um engenheiro sênior hoje recebendo mensalmente US$4.100,00, que se tiver necessidade de pagar uma babá, pagará com carteira de trabalho de oito horas, US$ 150,00 por mês. Entende Doutor Costa Neves que a China está aberta a novos desafios que é importar muito para exportar muito mais, deixando as riquezas para serem divididas pelos mais de um bilhão e trezentos milhões de chineses.


A modernidade é o que determina o crescimento da China


Reforçou nosso Embaixador que a China aceitou a internacionalização de produtos, e foi sabedora que em um computador se torna impossível a auto-suficiência, tanto é verdade que em 2006 a China exportou US$ 700 bilhões e importou US$ 600 bilhões de dólares nos mais diversos setores de atividades. Dessas exportações 58% foram realizadas pelas empresas transnacionais. Hoje o saldo comercial chinês chega a cem bilhões de dólares, porém, a maior parte não pertence à China. Outro exemplo rumo a construção de sua própria marca: a China produziu sete milhões de veículos populares chamados QIQI, para atender a essa crescente demanda interna, tendo como destaque a alta tecnologia que está sendo empregada nos veículos. Em exemplo diferencial de qualidade, fez o Embaixador referência à distinção entre o carro Mercedes Bens da Embaixada e o um carro fabricado por lá. Enquanto o primeiro é apenas um carro de luxo, o segundo tem até vídeo no painel, sendo que, ao acionar a marcha ré, aparece para o motorista, por meio de uma câmara que é ligada simultaneamente com a ré, a imagem do que está acontecendo atrás de seu veículo para que o motorista possa saber a distância que há entre seu carro, em relação ao carro que está estacionado.


A idéia de proibir a entrada de produtos chineses no Brasil


Diante da grandeza dos números que se descortinavam, foi apresentada a idéia de por um fim nessa “farra” chinesa de vender o que bem entende para o Brasil sempre muito mais barato. O Embaixador ao ouvir sobre a idéia ponderou que poderia ser uma saída, mas, que deveríamos ter atenção sobre a participação da China no crescimento do Brasil em 2006 que foi de 0,8% de todo o pífio crescimento que tivemos. Reforçando ainda que uma retaliação com certeza haveria por parte da China, pois, estaríamos "brigando” com um gigante que participava com menos de 1% nos anos oitenta e agora participa com 7% de toda a economia global. China que em 2012 passará o Japão, tornando-se a terceira potencia mundial. Com muita elegância Doutor Costa Neves salientou que o Brasil deveria utilizar as deficiências chinesas e tornar-se ainda mais seu aliado, pois, os chineses não olham o Brasil senão como um parceiro apoiador. Um exemplo dado pelo Embaixador: diante de necessidade de construção de 31 centrais nucleares, o Brasil poderia ser seu parceiro em vendas de urânio enriquecido, estagio que dominamos. Ou mesmo, continuarmos a ser o maior exportador de alimentos para a China. Entre outras tantas necessidades chinesas que deveríamos aproveitar sendo sempre seu parceiro estratégico, ao invés de nos tornarmos seus algozes. Mesmo porque arrematou em sua exposição o esclarecido Embaixador: diante da internacionalização dos produtos, onde em apenas um computador muitas empresas de muitos países participam, o protecionismo deixou de ser eficaz.


Existe outra forma de frear esse gigante?


Ao ouvir essa pergunta nosso Embaixador foi enfático: NÃO. Argumentou de maneira clara que o problema entre as relações China e Brasil, o Brasil possui uma vocação perene em não resolver suas questões internas e ficar, desde há quinhentos anos atrás, culpando as outras Nações. Deu um exemplo no qual os presentes ficaram boquiabertos. Disse Doutor Costa Neves: tenho um parceiro chinês que produz em sua fábrica produtos similares ao que são produzindo no Brasil. Ocorre que a legislação trabalhista chinesa é muito mais moderna que a brasileira, possibilitando que a fábrica, desse meu amigo, funcione durante vinte e quatro horas, seis dias por semana, tendo dez feriados por ano, tendo a mão de obra todas as garantias trabalhistas autorizadas pelos sindicatos chineses. Agindo dessa forma os sindicatos consegue flexibilizar empregos, necessidade esta que devem atender a demanda de 10 milhões de empregos por ano, para assentar no meio urbano os 44% dos migrantes rurais que hoje fazem parte do cenário urbano. Para ter CONTROLE DO PROCESSO a China tem o desafio de arrumar emprego para esses migrantes que se transformarão na futura classe média de mais de meio bilhão de chineses, caso não o faça perderá CONTROLE DO PROCESSO, permitindo a o desemprego que gera marginalidade, que leva a violência para os centros urbanos. Portanto, o sucesso da China se faz com a participação efetiva do Estado, que permite a abertura de uma empresa em apenas três dias, levando o mesmo tempo para fechá-la. Que os sindicatos estão envolvidos com o Governo na busca de empregos para seus associados, utilizando leis melhores que nossas leis trabalhistas. Agindo assim a economia chinesa vem dobrando a cada sete anos, algo somente comparado ao período norte-americano de 1870 a 1918.


Caro leitor, a continuidade será no próximo blog


Para que o artigo não fique enfadonho continuarei na próxima semana com os seguintes temas:
A classe média chinesa será a responsável pela consolidação da democracia na China; o ministro Camilo Pena fez uma revelação contundente, averbada pelo Doutor Flávio Roscoe, Vice Presidente da FIEMG; o descaso brasileiro para com as exportações que agregam valores aos produtos; como desde 2004 a China vem exportando mais para a América Latina em relação ao Brasil; países e empresas tendo dinheiro em caixa, estão ganhando mercado; a questão da moeda chinesa defasada em relação ao dólar e o inverso com a moeda brasileira; a solução para nossos problemas seria ao menos ter um processo coerente de crescimento, já que não temos controle nenhum, sobre nenhum processo.

1 comment:

Anonymous said...

Existem sempre duas formas de se ver o inesperado: como ameaça, ou como oportunidade. Claramente o que o embaixador está sinalizando é que as oportunidades para a relação Brasil/China são imensamente maiores que os riscos. E não adianta tapar o sol com a peneira. Assim como o Paraguai não possui economia interna para fazer escala a qualquer iniciativa brasileira, o contigente humano chinês empurrará aquele país a ser uma das grandes economias mundiais. Vamos perder o medo e crescermos junto a este novo gigante.