Tuesday, March 20, 2007

O Brasil do desprazer



Desprazer, esse verbo transitivo indireto e intransitivo, cujo significado é não agradar, causar desprazer ou em seu substantivo masculino: ausência de prazer, desagrado, descontentamento, desprazimento é tudo o que sentimos quando necessitamos de alguma coisa tenha a mão governamental. Sentimos que quando somos obrigados a enfrentar em nosso dia-a-dia, caminhando pelas veredas públicas, nosso desprazer é infindo. Vamos aos fatos. Poderia nesse blog, dessa semana, elencar inúmeros desprazeres que temos em nosso cotidiano, quando se trata de dependências de ações governamentais, porém, darei apenas destaque para as questões das viagens aéreas, por serem elas as grandes necessidades de nós reles mortais, para se locomovermos quer seja no quesito lazer ou trabalho, da forma mais rápida que dispomos.

Um Brasil que cobrava caro

Sou de uma geração que pouco ou nada voou. Por que não voávamos? Preço meu caro leitor. Uma simples viagem para Cuiabá, no ano de 1994, ida e volta, custou-me R$ 797,00. Se comparada a cinco viagens que havia realizado dentro dos Estados Unidos, na mesma época, pagando por todas elas R$ 580,00, sendo que uma delas o percurso era maior que São Paulo-Cuiabá, podemos verificar o quanto era de custo extremamente elevado, tanto para aquele que tinha que pagar suas próprias despesas ou para as empresas que tinham que colocar em suas planilhas os referidos custos de viagens de seus colaboradores.

Um Brasil privado que foi obrigado a se modernizar barateando custos

Depois que as empresas aéreas brasileiras perceberam que era impossível continuarem a cobrar preços tão elevados por viagens, tiveram que rever seus propósitos negociais. Copiaram os modelos das companhias internacionais cujo foco era atingir o maior número de assentos ocupados em cada viagem, tendo como conseqüência menores preços. A partir dos preços bem mais baixos praticados pelas empresas nacionais, turbinado pelos maiores prazos de pagamento de uma passagem aérea, uma nova forma de pensamento foi sendo criada na mente de todos os brasileiros: viajar de avião. Que prazer inusitado começou a ser praticado por aquele sofrido brasileirinho que durante a vida toda, por não ter outra opção, passava horas e horas sacolejando pelas temidas estradas nacionais, correndo todos os riscos que vemos nos jornais nacionais diariamente. Por que essa precariedade? Pela incompetência de tantos governos que tivemos e temos, que mesmo retirando anualmente por meio do IPVA, bilhões de reais para conservação das estradas, não o fazem, corroborado por aqueles políticos mais “espertos” que não permitem serem privatizadas, para assim, manterem suas “participações” mensais, nas famosas operações “tapa-buracos” .

O brasileiro começou a voar ou melhor: pensou que voaria

No início dessa nova fase da vida aérea dos agora afortunados brasileirinhos, que deixaram as poltronas dos ônibus e foram ocupar os assentos dos aviões, essa mudança passou a ser um verdadeiro sonho. Milhões desses singelos brasileiros puderam voar. Foi uma fase áurea a conjunção de preços diminutos e prazos alongados. Tive a oportunidade de viajar com pessoas que estavam realizando pela primeira vez o sonho de Ícaro. Como curioso que sou, até para enriquecimento desse blog, perguntava: o que estão sentindo? Nossa quantas histórias ouvi, pois, todos nós, independentemente de classe social, credo ou apologia partidária, tivemos sempre o sonho de voar e cada um que o realizava, adorava descrevê-lo, enfatizando o que estava sentindo. Era catarse ouvir aquelas histórias.

Governo marcando presença para “desprazerar” nossos sonhos

Cada vez que necessito fazer algum vôo, percebo como o povo brasileiro vem tendo o desprazer de realizar uma viagem aérea. Horas e horas de espera, descaso para com a informação, cancelamento de vôos, falta de conforto para aqueles que ficam a deriva nos aeroporto, falta de qualidade do atendimento na hora de acomodar o infeliz passageiro em um hotel, quando ele tem que pernoitar em algum lugar, tendo a possibilidade de seguir viagem no dia seguinte. Não vou entrar no mérito das perdas financeiras que profissionais têm tido por mais esse descaso governamental, mas, destaco apenas o desprazer que pessoas estão tendo na hora de viajar de avião. Somente em pensar que necessitam chegar a um aeroporto e realizar o que qualquer cidadão do mundo realiza: chegar uma hora de antecedência, fazer o check-in, tomar um delicioso café, esperar a chamada de embarque, receber o sorriso da atendente de embarque, entrar em uma aeronave, ouvir as informações das aeromoças, ficar deliciosamente mais perto do sol ou da lua, finalizando a referida viagem com a troca de um delicioso abraço com aqueles que nos esperam ou chegando a reunião de negócios na hora aprazada. Uma coisa que no mundo é tão simples, nesse país do desprazer, se tornou tão complicado.
EM TEMPO: O BRIGADEIRO JOSÉ CARLOS PEREIRA, PRESIDENTE DA INFRAERO, NO DIA DE ONTEM, DISSE: “NEM ME ATREVO A DAR UM PRAZO PARA O FIM DO PROBLEMA”

Tuesday, March 13, 2007

Os Alices no país das maravilhas dos PCA´s


Quando bato o olho em todas as proposições governamentais que visam a melhoria da qualidade de vida de nós brasileiros, não somente deste proposições deste governo, mas, de todos os últimos pós-ditadura, minha mente não consegue se comportar de outra maneira, se não elevando o pensamento na prima obra de Lewis Carrol – Alice no Pais das Maravilhas.
As obras governamentais, assim como a obra infantil Alice, servem muito mais para a pictórica por serem verdadeiras formas de realismo mágico. Vejo na atualidade, em mais uma obra do Governo atual, que é o PAC, o abstrato cedendo espaço para o imaginário dos políticos que vivem naquele país das maravilhas chamado Brasília. Infelizmente, esse abstrato imaginário, nunca se funde com o mundo real e concreto, pois, no livro de Lewis Carrol ele consegue essa façanha. O que nos oferecem os protagonistas do governo são nada mais do que grandes obras oferecidas abstratas que se transformam por um tempo em factóides. Desde uma simples prefeitura, nós longícuos rincões do semi-árido, até as grandes metrópoles onde reinam os poderosos governantes, todos passam seus momentos políticos criando aventuras, que por serem totalmente abstratas, são chamados pacotes para a melhoria do Brasil.

Os pre-PAC´s

Desde o mais famoso dos pacotes para tirar o Brasil da penúria, com o pomposo nome de Plano Nem Me Lembro Qual, até os mais recentes, todos sem exceção, demonstram a distância entre o que o povo de fato vive e necessita e o onirismo os quais vivem os donos do poder, naquela longínqua terra das maravilhas e dos lagos paranoeiros chamada Brasília. Os personagens desse incrível livro nacional, que são estampados em palavras todas às noites nos jornais da Nação, são no mínimo como o mundo de Alice: surreais. Porém possuem uma diferença: Carrol em sua obra consegue fundir o surreal com a realidade, nossos políticos nunca conseguiram. Todos governantes que empunham a bandeira das proposições para a melhoria da vida do povo brasileiro, demonstram ser estas obras páginas do livro de Alice. Esses Alices, mais parecem animais personificados em políticos, conseguem em alguns casos que ocorra o inverso. Esses serem que alçam a rampa de Brasília, para depois em tardes ensolaradas, fazer do Lago Paranoá, algo tão surreal, que mais parece Miami, do que algo pensado por Lúcio Costa e Niemayer, lago dos deleites de seus jetskis e potentes lanchas. Surreal por ser esse lago artificial e incrustado no cerrado, naquele longínquo centro-oeste brasileiro. Os factóides criados nessa terra dos Alices, que de maravilha somente impunham a pena para arrancar do couro dos trabalhadores, mais e mais impostos, tem em contra partida, para si mesmo, as benesses de quem consegue chegar e ficar na Corte dos Alices.

O factóides noturnos

Desses factóides expostos todas as noites para que haja sempre o que falar, mesmo que nada seja dito, são a verossimilhança dos diálogos e situações que exercem na mente dos mais carentes de cultura. Esse fascínio dos factóides políticos, desde aqueles que no plenário debutam, até aqueles que são cobras criadas, nos plenários de debates, estão sempre bradando em alto e bom som que têm a mais pura das vontades em resolver a situação de nós brasileiros. Por outro lado, aceitam continuar parlamentando em um país que decidiu engatar, desde a descoberta, um marcha-a-ré, preferindo olhar o mundo que cresce vertiginosamente, pelo espelho retrovisor, de um velho calhambeque, que a cada ano é pintado por fora, para esconder as ferrugens internas, e vendido para os menos favorecidos de abecedário, como um novo e reluzente e rápido carro de formula sei lá o que.

A repetição constante de mentiras, estão colando na mente como sendo verdades

Creio que esses factóides de todas as noites, por serem mentiras repetitivas, estejam cada vez mais colando na mente desses brasileiros sem acesso a uma folha de jornal, exercendo um fascínio pela falta de um cobrança no momento seguinte. E, como somos qualificados de mentes curtas, ao ouvirmos um novo factóide voltamos a acreditar a ressurreição brasílica.
Por que esse destilar contra aqueles que nós mesmos elegemos? Para pelo menos, os que buscam a cada momento do voto, ter consciência em quem está votando, não se esqueça desse mundo dos Alices que de maravilha nada tem, mas, pautam sempre pela transgressão do que falam em algum instante nos palanques, nas praças ou nos meios eletrônicos. Essa transgressão é o inverso do que foi prometido. A lógica do que farão é pautada pela ilógica do que não fazem. As ironias que pautam uns contra os outros, são elaboradas dentro do maior cinismo, para que o factóide ganhe mais força na mídia e todos acreditem que existem os paladinos da verdade nas casas congressistas. Em realidade a questiúncula é apenas atos bem humorados daqueles que sabem que enganam o público eleitor, mas, que dificilmente será cobrado por tanta enganação. Ainda mais, em um país que caminha cada vez mais, para que os donos do saber detenham por caminhos escusos as Academias do Saber e por esses mesmo caminhos são donos das mídias modernas. Para ser empreendedor basta pertencer a Corte dos Alices não maravilhosos. Todos sem exceção vivem de narrativas sem nada de concreto. Isso posto, que pelo menos mantenhamos o humor e façamos periodicamente críticas, não tão sutis como esta que escrevo, mas, totalmente contundente para que aqueles desafortunados de leitura, mas, afortunados pelos jornais da noite, ao menos queiram saber o que é um factóide.

Thursday, March 08, 2007

Quando o útero grita mais alto!!!!!!!!!!!!!


Quis Deus em sua infinita sabedoria criar algo vivo, pensante, inteligente, audaz, bondoso, valente, sábio, enfim, um ser que fosse Sua semelhança. Que esse mesmo ser pensasse no longo prazo e elaborasse metas para seu crescimento. Quis Deus que quando chegasse à hora desse ser partir dessa sua jornada de vida, olhasse para suas realizações e partisse feliz para alçar a vida eterna. Deus em sua infinita compreensão pela existência humana, poderia ter criado o homem dos mais diversos materiais nobres, quartzo, diamante, ouro, urânio, titânio, mas, preferiu Ele, criar o homem a partir do elemento terra. Essa idéia Divina foi para que simbolizar Seu desejo de que, o homem por ele criado, prestasse sempre atenção de onde esse ser humano foi criado e que ele tivesse e tomasse todos os cuidados para com seu útero. Quis Deus que o aquele útero a ser utilizado pelo homem fosse o mais aconchegante dos lugares. Depois de tudo planejado Ele tornou realidade sua criatura humana a partir do pó-de-terra, para que esse ser nunca se esquecesse que: de onde ele foi parido, ele repousará.

Quando o útero grita alto temos que ouvi-lo


Imaginemos uma mulher parideira: quando sua idade biológica se aproxima do que é chamado “data final para ter mais filhos”, seu útero grita alto e quem for seu parceiro, deverá entender esse grito, transformar-se em um deus terreno, dando, portanto, significado a esse grito. Quando essa nova criatura vem a Terra, sua missão, assim como a de seus ancestrais, é de preservar o que Deus criou. Assim caminhou, caminha e caminhará a o homem até a eternidade: sempre atendo ao grito uterino. Quis Deus dar uma outra demonstração para esse homem que Ele próprio criou. Ao tirar uma costela da criatura para completá-la Deus mandou outra mensagem: essa mulher fará para o homem o papel que a costela faz em seu próprio corpo: a de proteger todos os órgãos vitais. Esse simbolismo que Ele deixou para que a humanidade pensasse, foi no sentido de que o homem pode até pensar ser todo poderoso, mas, os cuidados com esse seu poder, passa pela atenção, carinho, disponibilidade e amor. Hoje, o útero terra está gritando: a deformação que estão ocorrendo em mim, será totalmente repassada para aqueles que me deformaram.

Homem esse ser que nunca entendeu a mensagem Divina


Quis Deus deixar para o homem que Ele criou, a partir do elemento terra, que essa terra é seu útero, sua mãe eterna, sua natureza indestrutível. Essa mensagem Divina foi realizada para que todos os seres humanos pensassem na mãe natureza como uma boa mãe e fosse por essa criatura amada, cuidada, querida, acarinhada. Mas, esse homem, agraciado pela bondade Divina, vem esquecendo de fazer sua parte no trato, vindo covardemente, a cada dia que passa, realizando o mais vil dos atos que é a destruição de seu próprio útero. Vem esse homem com sua maldade perene, acabando essa mãe que tanto o ama e protege. Vem esse mal intencionado homem, paulatinamente destruindo, violentando, aviltando, a incompreendida e menosprezada mulher de todos nós que é a Mãe Natureza. Quis Deus tornar eterna todas as suas criações, dando ao homem o poder de cuidar, de seu útero, desde o mais pequenino dos seres vivos, até o mais político e inteligente ser que habita esse útero terrestre. Se o homem aplicassse esse ensinamento, poderia então a humanidade conviver com essa mulher, mãe, terra, natureza e todos os seres criados por Ele em paz e harmonia.

Agora esse útero está gritando. Será que vamos ouvi-lo?


Em menos de dois séculos o homem decidiu destruir sua mãe, mãe esta que o acolhe desde o momento que acorda até o momento que ele está sonhando. Infelizmente, esse homem de pó-de-terra, não percebe o grito que vem saindo desse útero feminino. Deus é paciente e em seu infinito perdão, está aguardando o despertar desse homem, para que em reflexão, olhe para tudo o que foi feito de errado com sua mãe terra e refaça esse caminho Divino que é a preservação de seu próprio útero.
Hoje é o dia da mãe de todas as mulheres. Dia esse consagrado ao que Deus que por meio de uma costela, nos mostrou a mulher, quis nos dizer que: ao aceitarmos o amor de uma mulher, estaremos aceitando Ele, como orientador de nossa própria vida. Creio que no dia Internacional da Mulher, todos nós homens paremos para refletir o que estamos fazendo com as mulheres a partir da mãe terra. Deus, em sua infinda visão de longo prazo, demonstrou ser a mulher e a mãe natureza, seus dois lugares mais sagrados, para tanto, que sejamos zelosos com esse ambiente Divino.

Nesse dia oito de março vamos ouvir a mais importante das mulheres: a terra


Como não há relato de que a destruição de nosso útero parta de uma mulher sequer, por serem elas as únicas a entender as mensagens Divinas, nunca infringindo e destruindo a natureza, competem a nós homens, ouvir o grito desse útero e ao invés de mandarmos flores para as mulheres, que plantemos flores. Que ao invés de escrevermos cartões de agradecimentos, não derrubemos mais árvores, que ao invés de levarmos nossas mulheres para jantar, que nos alimentemos de suas sabedorias, que ao invés de dizer que a ama, seja coerente para com o amor incondicional ofertado aos homens por essa mulher.