Thursday, June 19, 2014



 DISTÂNCIA, TEMPO, EXPERIÊNCIA = VAZIO EXISTENCIAL

A distância que a empresa familiar vive entre a experiência denotada no decorrer do tempo, em relação às teorias necessárias para mudanças das novas práticas para o seu crescimento, infelizmente, cria um gargalo na empresa familiar. O tempo para os fundadores é o seu TUDO; as novas teorias dos jovens e possíveis sucessores é seu NADA, criando o “vazio existencial intergerações“. Incorrendo no pior dos fatores: a mistura da Entidade Familiar, ou seja, o fundador dá exemplos para o sucessor de como ganhou e construiu sua vida misturando o dinheiro da empresa com o da pessoa física, algo que faz seu contador perder cabelos.
Por que existe esse vazio se tanto o fundador e sucessor assentam todos os dias à mesa familiar?
Um dos postulados é sobre a falta do diálogo franco e aberto daquele que conhece por tempo de experiência vivida e o outro que está aberto ao conhecimento que deseja aprender, porém, com novas ferramentas disponíveis. Aí que mora o perigo. Sabe-se que o fundador por mérito e não é pouco, do nada criou seu império, independentemente do tamanho, setor, atividade e crescimento material. Assim como abraçou a causa educacional dos seus sucessores, dando-lhes as melhores escolas, intercâmbios no estrangeiro. Enquanto isso, dentro das quatro paredes de seu castelo, em uma gaveta escondida a sete chaves, está seu melhor conhecimento, ou seja, o diploma que consegui a décadas passadas e, baseada em discurso da falta de tempo, ou mesmo, elevada carga de trabalho operacional, nunca mais se deixou levar para um caminho de conquistas acadêmicas. Nessa falta de tempo normalmente vem em anexo, ao padrão nacional, do papo de horas no bar com amigos. Para não ser totalmente injusto, vemos o fundador presente para assistir palestras em seus sindicatos de classe, não para aprender, mas, para exercitar o bom e velho encontro de “egos”, disputando no estacionamento com quem está com o carro mais moderno; nos papos de cafezinho: discutir quem comprou a melhora casa de veraneio ou quem mora na melhor casa da cidade, ou mesmo falar mal de algozes que insistem em modernizar seus centros fabris.

E o sucessor como se enquadra nessa história?
O jovem que estuda, discute as questões de sustentabilidade e responsabilidade social, na universidade, ao se formar terá duas escolhas em sua vida como sucessor; a primeira - repetir o fundador analógico, deixar para trás todo seu conhecimento para dizer amém a tudo o que sabe que está errado, mantendo-se ao lado do possível fracasso, mas, se locupletando do bom (matéria) e melhor, (manutenção dos velhos dogmas sociais, carrões, baladas, casamentos indesejados); segundo - enfrentar o fundador demonstrando que tudo o que deu certo até então deva ser mudado. Se a decisão for a segunda o barraco familiar está levantado. Na mesa de refeições que eram um palco de risadas, de orgulho do pai e da mãe, vira um palco de guerra entre facções do passado, contra a do futuro. Para variar a mãe eterna prestadora de serviços para ambas às partes, tenta no primeiro momento colocar panos quentes. Ao passar do tempo, percebe ser impotente em modificar o pensamento do marido e acaba por ficar do lado de quem de fato ama – seu filho (sucessor), até por que, nesse tempo de casamento, o amor possivelmente já tenha acabado e exista apenas a convivência.  
Dessa história volta-se para o enunciado: o vazio existencial; a vida passa, a empresa não decola, fenece na primeira geração, a velhice chega, os sucessores deixam para trás uma história que não lhe disse nenhum respeito, o fundador fica a contar história de um passado distante e os cachorros latem.

Tuesday, June 10, 2014



OCULTADORES DAS NECESSIDADES DE ABERTURA E DESCENTRALIZAÇÃO
Estávamos a mais de três meses naquela empresa. Fomos chamados exatamente por ter uma diagnose empresarial apontando problemas com a gestão de fábrica (custos altos - MOD e MOI, como também desperdícios elevados) e acreditem, não havíamos conseguido penetrar na inexpugnável muralha, erguida para que as novas gerações não tivessem acesso, nem com aríetes do conhecimento adquirido nas academias de gestão, nem com as lanças da qualidade atiradas para atingirem esse reduto centralizado e comandado pelo fundador. 

Vários conhecedores das estruturas elementares dos negócios familiares sabem como a geração de fundadores tornaram-se centralizadores e ocultadores das necessidades de aberturas necessárias. Eles reprimem as mudanças constantes, as quais o mercado cada vez mais exigente requer. O fato é simples e explicável: cresceram como empresários em um mundo de protecionismo – 1975 a 1995, sem globalização - a partir de 1990 e, principalmente, com ganhos não operacionais dados de graça pela irresponsabilidade econômica de Otávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos – 1964/65. Obs.: somente o Brasil essa Pátria de Governos sem governantes, teve a loucura de corrigir sua moeda. Essa conta atingiu um (1) quatrilhão em correção monetária, ou seja; se investisse um dinheiro da época64/65, ao chegar ano Plano Real 94, o investidor teria dezesseis zeros depois do um. E, essa conta foi paga por todos aqueles que não tinham uma conta bancária. Somente para elucidação; 87% da população não tinha conta bancária em 1994. Assim esses fundadores, acostumados a um mundo brasileiro e agora diante da do mundo globalizado, podem vir a ser lembrados como os “afundadores” de suas próprias empresas. 

Como derrubar a inexpugnável muralha da falta de novos conhecimentos e investimentos em inovação, pressupostos básicos da geração de fundadores?
Como diz o velho ditado: “demonstre quanto de dinheiro está entrando nos bolsos dos concorrentes”! A partir desse esclarecimento a porta do castelo será aberta, pois, fundador nenhum quer ficar para trás de seus competidores. Para tanto, a consultoria deve ter elementos claros, simples e com uma proposta de médio e longo prazo, provando o quanto está sendo desperdiçado e o quanto deverá ficar na Tesouraria, desde que se apliquem os mecanismos de alinhamento dos eixos que estão em desalinho. 

É uma tarefa fácil? Infelizmente, não! No entanto, basta possuir as ferramentas inovadoras e convencedoras para que o fundador entenda o propósito e a quantidade de recursos financeiros que serão recolocados para dentro da empresa, utilizando tudo o que está instalado, sem que haja necessidade de inventar a roda. Assim, este fundador, centralizador e resistente, ao reconquistar seu estado de confiabilidade na nova geração (por ter sido ela a evocadora da diagnose empresarial) o fundador e a nova geração acabam fazendo as pazes com a rentabilidade e aferindo lucros operacionais. E vivem felizes, não para sempre, por ter na empresa familiar os agregados. Mas, está é outra história!

Thursday, June 05, 2014




         QUEM MANIPULA QUEM?
A reunião não havia terminado ainda; a sequência e a esperada assinatura do fundador daquela empresa foi, a pedido do próprio, alegando cansaço, deixada para ser definitivamente assinada no dia seguinte. Como especialista em semiologia percebi que algo de errado naquela frase. Era esperar o dia seguinte para fechar o que a teoria chama de triângulo dramático dos jogos. Deixar para assinar algo para o dia seguinte é algo corriqueiro nas empresas, quer pela última olhada em documentos, mais uma rodada de conflitos, enfim, vários fatores podem atrasar uma importante assinatura, porém, cansaço era uma justificativa suspeita. Atores familiares e suas discussões paralisantes despacham sempre a nau familiar para destinos ignorados e portos inseguros. Enfim, estava em curso uma provável narrativa de alcova. Era esperar o dia seguinte para comprová-la. 

Na alcova muitos reis e imperadores empresariais são interpelados pelas suas rainhas e por motivos óbvios entre o tácito acordo de casais, mudam regras dos jogos familiares. No dia seguinte de fato houve a comprovação que aquele acordo de fato existia. Pontos relevantes para o desenvolvimento da empresa, como o afastamento de um filho que comprovadamente não estava em acordo com os novos ditames da empresa, foi vetado na alcova e retirado do conjunto da obra de modernização empresarial. Ele, mesmo a contra gosto de outros irmãos e agregados continuaria em seu cargo. A empresa perderia é claro, mas, a rainha havia mantido seu rebento preferido na folha de pagamento da empresa. Puro embate rei versus rainha. Totalmente desnecessário, por conta de que, em empresas familiares filhos podem se tiverem capacidade para determinados cargos, pertencerem à folha de pagamento, aqueles que definitivamente não tem a capacidade, devem fazer parte da hierarquia familiar, tendo como seu direito de nascimento acesso aos lucros e a herança. O fato; os acordos lavrados em cartórios pelas famílias que pensam em manterem as empresas por diversas gerações, assim o fazem e todos ganham.
O grupo que fazia parte do projeto de modernização da empresa era um pessoal gabaritado e conhecedor dessas – mazelas familiares entenderam perfeitamente o acordo tácito, no entanto, outros interessados familiares e sabedores que aquele banho de água fria nos designo do futuro empresarial seria prejudicial para o futuro da empresa, não aceitaram e a empresa acabou rachando; as farpas voaram para todas as direções, não houve mais acordo e o que era para ser um futuro brilhante para aquela família, foi derrubado na alcova.

Assim é a empresa familiar que faz jogos, confinam em sua alma empresarial pessoas incompletas para assumirem cargos, desfilam em alegorias escabrosas suas incapacidades e, finalmente, destroem o sonho do fundador da empresa, cujo sacrifício daquela construção esbarrou na vontade de uma rainha que somente olhou para seu príncipe querido e deixou todos os outros ancorados no porto da desilusão. Como empresa de consultoria nada podemos fazer, pois, o acordo tácito que foi celebrado em apenas uma noite, poderá conter uma vida a dois; de segredos infindos e mazelas escondidas nas masmorras dos castelos que habitam casais imperiais empresariais.