DISTÂNCIA,
TEMPO, EXPERIÊNCIA = VAZIO EXISTENCIAL
A distância
que a empresa familiar vive entre a experiência denotada no decorrer do tempo,
em relação às teorias necessárias para mudanças das novas práticas para o seu
crescimento, infelizmente, cria um gargalo na empresa familiar. O tempo para os
fundadores é o seu TUDO; as novas teorias dos jovens e possíveis sucessores é seu
NADA, criando o “vazio existencial intergerações“. Incorrendo no pior dos
fatores: a mistura da Entidade Familiar, ou seja, o fundador dá exemplos para o
sucessor de como ganhou e construiu sua vida misturando o dinheiro da empresa
com o da pessoa física, algo que faz seu contador perder cabelos.
Por que
existe esse vazio se tanto o fundador e sucessor assentam todos os dias à mesa
familiar?
Um dos
postulados é sobre a falta do diálogo franco e aberto daquele que conhece por
tempo de experiência vivida e o outro que está aberto ao conhecimento que
deseja aprender, porém, com novas ferramentas disponíveis. Aí que mora o
perigo. Sabe-se que o fundador por mérito e não é pouco, do nada criou seu
império, independentemente do tamanho, setor, atividade e crescimento material.
Assim como abraçou a causa educacional dos seus sucessores, dando-lhes as
melhores escolas, intercâmbios no estrangeiro. Enquanto isso, dentro das quatro
paredes de seu castelo, em uma gaveta escondida a sete chaves, está seu melhor
conhecimento, ou seja, o diploma que consegui a décadas passadas e, baseada em
discurso da falta de tempo, ou mesmo, elevada carga de trabalho operacional,
nunca mais se deixou levar para um caminho de conquistas acadêmicas. Nessa falta
de tempo normalmente vem em anexo, ao padrão nacional, do papo de horas no bar
com amigos. Para não ser totalmente injusto, vemos o fundador presente para assistir
palestras em seus sindicatos de classe, não para aprender, mas, para exercitar
o bom e velho encontro de “egos”, disputando no estacionamento com quem está
com o carro mais moderno; nos papos de cafezinho: discutir quem comprou a
melhora casa de veraneio ou quem mora na melhor casa da cidade, ou mesmo falar
mal de algozes que insistem em modernizar seus centros fabris.
E o sucessor
como se enquadra nessa história?
O jovem que
estuda, discute as questões de sustentabilidade e responsabilidade social, na
universidade, ao se formar terá duas escolhas em sua vida como sucessor; a
primeira - repetir o fundador analógico, deixar para trás todo seu conhecimento
para dizer amém a tudo o que sabe que está errado, mantendo-se ao lado do
possível fracasso, mas, se locupletando do bom (matéria) e melhor, (manutenção
dos velhos dogmas sociais, carrões, baladas, casamentos indesejados); segundo -
enfrentar o fundador demonstrando que tudo o que deu certo até então deva ser
mudado. Se a decisão for a segunda o barraco familiar está levantado. Na mesa
de refeições que eram um palco de risadas, de orgulho do pai e da mãe, vira um
palco de guerra entre facções do passado, contra a do futuro. Para variar a mãe
eterna prestadora de serviços para ambas às partes, tenta no primeiro momento
colocar panos quentes. Ao passar do tempo, percebe ser impotente em modificar o
pensamento do marido e acaba por ficar do lado de quem de fato ama – seu filho
(sucessor), até por que, nesse tempo de casamento, o amor possivelmente já
tenha acabado e exista apenas a convivência.
Dessa
história volta-se para o enunciado: o vazio existencial; a vida passa, a
empresa não decola, fenece na primeira geração, a velhice chega, os sucessores
deixam para trás uma história que não lhe disse nenhum respeito, o fundador
fica a contar história de um passado distante e os cachorros latem.