OCULTADORES DAS NECESSIDADES DE ABERTURA E DESCENTRALIZAÇÃO
Estávamos a mais de três meses naquela empresa. Fomos
chamados exatamente por ter uma diagnose empresarial apontando problemas com a
gestão de fábrica (custos altos - MOD e MOI, como também desperdícios elevados)
e acreditem, não havíamos conseguido penetrar na inexpugnável muralha, erguida
para que as novas gerações não tivessem acesso, nem com aríetes do conhecimento
adquirido nas academias de gestão, nem com as lanças da qualidade atiradas para
atingirem esse reduto centralizado e comandado pelo fundador.
Vários conhecedores das estruturas elementares dos negócios
familiares sabem como a geração de fundadores tornaram-se centralizadores e
ocultadores das necessidades de aberturas necessárias. Eles reprimem as
mudanças constantes, as quais o mercado cada vez mais exigente requer. O fato é
simples e explicável: cresceram como empresários em um mundo de protecionismo –
1975 a 1995, sem globalização - a partir de 1990 e, principalmente, com ganhos
não operacionais dados de graça pela irresponsabilidade econômica de Otávio
Gouveia de Bulhões e Roberto Campos – 1964/65. Obs.: somente o Brasil essa
Pátria de Governos sem governantes, teve a loucura de corrigir sua moeda. Essa
conta atingiu um (1) quatrilhão em correção monetária, ou seja; se investisse um
dinheiro da época64/65, ao chegar ano Plano Real 94, o investidor teria dezesseis
zeros depois do um. E, essa conta foi paga por todos aqueles que não tinham uma
conta bancária. Somente para elucidação; 87% da população não tinha conta
bancária em 1994. Assim esses fundadores, acostumados a um mundo brasileiro e
agora diante da do mundo globalizado, podem vir a ser lembrados como os “afundadores”
de suas próprias empresas.
Como derrubar a inexpugnável muralha da falta de novos conhecimentos
e investimentos em inovação, pressupostos básicos da geração de fundadores?
Como diz o velho ditado: “demonstre quanto de dinheiro está
entrando nos bolsos dos concorrentes”! A partir desse esclarecimento a porta do
castelo será aberta, pois, fundador nenhum quer ficar para trás de seus
competidores. Para tanto, a consultoria deve ter elementos claros, simples e
com uma proposta de médio e longo prazo, provando o quanto está sendo
desperdiçado e o quanto deverá ficar na Tesouraria, desde que se apliquem os
mecanismos de alinhamento dos eixos que estão em desalinho.
É uma tarefa fácil? Infelizmente, não! No entanto, basta
possuir as ferramentas inovadoras e convencedoras para que o fundador entenda o
propósito e a quantidade de recursos financeiros que serão recolocados para
dentro da empresa, utilizando tudo o que está instalado, sem que haja
necessidade de inventar a roda. Assim, este fundador, centralizador e
resistente, ao reconquistar seu estado de confiabilidade na nova geração (por
ter sido ela a evocadora da diagnose empresarial) o fundador e a nova geração
acabam fazendo as pazes com a rentabilidade e aferindo lucros operacionais. E
vivem felizes, não para sempre, por ter na empresa familiar os agregados. Mas,
está é outra história!
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