Thursday, June 05, 2014




         QUEM MANIPULA QUEM?
A reunião não havia terminado ainda; a sequência e a esperada assinatura do fundador daquela empresa foi, a pedido do próprio, alegando cansaço, deixada para ser definitivamente assinada no dia seguinte. Como especialista em semiologia percebi que algo de errado naquela frase. Era esperar o dia seguinte para fechar o que a teoria chama de triângulo dramático dos jogos. Deixar para assinar algo para o dia seguinte é algo corriqueiro nas empresas, quer pela última olhada em documentos, mais uma rodada de conflitos, enfim, vários fatores podem atrasar uma importante assinatura, porém, cansaço era uma justificativa suspeita. Atores familiares e suas discussões paralisantes despacham sempre a nau familiar para destinos ignorados e portos inseguros. Enfim, estava em curso uma provável narrativa de alcova. Era esperar o dia seguinte para comprová-la. 

Na alcova muitos reis e imperadores empresariais são interpelados pelas suas rainhas e por motivos óbvios entre o tácito acordo de casais, mudam regras dos jogos familiares. No dia seguinte de fato houve a comprovação que aquele acordo de fato existia. Pontos relevantes para o desenvolvimento da empresa, como o afastamento de um filho que comprovadamente não estava em acordo com os novos ditames da empresa, foi vetado na alcova e retirado do conjunto da obra de modernização empresarial. Ele, mesmo a contra gosto de outros irmãos e agregados continuaria em seu cargo. A empresa perderia é claro, mas, a rainha havia mantido seu rebento preferido na folha de pagamento da empresa. Puro embate rei versus rainha. Totalmente desnecessário, por conta de que, em empresas familiares filhos podem se tiverem capacidade para determinados cargos, pertencerem à folha de pagamento, aqueles que definitivamente não tem a capacidade, devem fazer parte da hierarquia familiar, tendo como seu direito de nascimento acesso aos lucros e a herança. O fato; os acordos lavrados em cartórios pelas famílias que pensam em manterem as empresas por diversas gerações, assim o fazem e todos ganham.
O grupo que fazia parte do projeto de modernização da empresa era um pessoal gabaritado e conhecedor dessas – mazelas familiares entenderam perfeitamente o acordo tácito, no entanto, outros interessados familiares e sabedores que aquele banho de água fria nos designo do futuro empresarial seria prejudicial para o futuro da empresa, não aceitaram e a empresa acabou rachando; as farpas voaram para todas as direções, não houve mais acordo e o que era para ser um futuro brilhante para aquela família, foi derrubado na alcova.

Assim é a empresa familiar que faz jogos, confinam em sua alma empresarial pessoas incompletas para assumirem cargos, desfilam em alegorias escabrosas suas incapacidades e, finalmente, destroem o sonho do fundador da empresa, cujo sacrifício daquela construção esbarrou na vontade de uma rainha que somente olhou para seu príncipe querido e deixou todos os outros ancorados no porto da desilusão. Como empresa de consultoria nada podemos fazer, pois, o acordo tácito que foi celebrado em apenas uma noite, poderá conter uma vida a dois; de segredos infindos e mazelas escondidas nas masmorras dos castelos que habitam casais imperiais empresariais.

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