Tuesday, July 25, 2006

Deteriorar qualquer coisa: uma questão política interna da pessoa



Depois de quase um semestre de muito trabalho, a decisão foi aproveitar um pacote de uma semana em uma das melhores e mais simpáticas capitais praianas desse vasto litoral brasileiro. Pacote este, cortesia da empresa que prezo pelos trabalhos realizados para ela, desde os anos 2000. Uma das mais competentes do mundo, advinda da mente de um homem que não se deixou deteriorar, nem a mente, muito menos o corpo e quem dirá os negócios, chamado Amaro Rolim. Claro que estou falando da TAM, empresa que vi nascer e não consigo enxergar qual será seu destino final, pois, apesar de marquetearem que “o brasileiro nasceu para voar”, creio que seus olhos estão voltados para todos aqueles que querem de alguma maneira sonhar com algo distante, quer sejam brasileiros ou não, sendo que por meio de seus pacotes deliciosos e por que não dizer: de muito bom gosto, irá mundialmente dizer que aquele que sonha, enlevar a alma para suas realizações. Assim, age a TAM nunca deixando deteriorar seus sonhos, para que os sonhos de seus clientes sejam novos, recentes, atuais.

Um passeio pela praia da Redinha

Com todo o tempo disponível para nada fazer, busquei o encontro com a atividade que todos os natalenses tem. De que forma? Simplesmente me deslocando com eles em suas forma de condução: buzão, como dizem os garotos. Informado que fora anteriormente, desci e rapidamente subi em um outro ônibus para chegar à praia de Rendinha, local que depois de ficar por tantas e tantas horas, apenas saboreando a brisa do mar, tomando o frescor das ondas e sentido na pele a leveza da “noiva-do-sol” que é o clima de Natal, voltei ao findar da tarde para o mesmo lugar de onde havia subido naquele coletivo natalence. Um outro tipo de sorte me perseguia naquela viagem. Se, na ida para Redinha apenas desci e subi em coletivos, na volta tive que esperar por mais de quarenta minutos pela presença do 46 “buzão” que sai daquele logradouro para as praias de Ponta Negra.

O logradouro deteriorado

Os minutos foram passando, sendo que uma imagem foi se alinhavando em minha mente, percebi que estava na antiga Rodoviária de Natal. Não consegui acreditar! Não era possível que aquele local em menos de vinte anos tivesse se deteriorado daquela forma. A dúvida foi tanta que perguntei para uma pessoa que trabalhava em uma das lanchonetes daquele, agora, lúgubre espaço, onde um amontoado de prédios carcomidos pelo tempo, deteriorado pela falta de uma política sei lá de quem, pudesse ser o mesmo local, limpo, aconchegante, onde em menos de duas décadas, esperei por algum tempo o ônibus que me levaria de volta para Recife. Imediatamente, coloquei a culpa em governos.

A lição do dia seguinte sobre a política da deterioração

Dia seguinte, ainda pasmo com o que havia visto na Rodoviária antiga, voltava eu de outro passeio, pelas lindas praias de Jenipabu, que também pode ser escrito com “G” e, ao descer da balsa, pessoas do local me convidaram a segui-las para pegar um ônibus que me levaria de volta a Ponta Negra. Aceitei o convite e cortamos caminho por umas vielas de um bairro simples, porém, todo resolvido em suas necessidades de saneamento básico. Naquele momento, toda a revolta que havia colocado nos governos, no dia anterior, devido ao deterioramento da Rodoviária antiga, deixou de existir em minha mente, pois, percebi a aprendi a lição de que governos não são responsáveis pelo deterioramento dos locais, mas sim, são responsáveis pelo deterioramento da mente dos brasileiros, pela falta de uma educação mínima no que concerne ao que chamamos de limpar o local no qual se vive. Explico. As ruas que passei por aquele simples bairro, que não era favela e sim, uma vila de classe baixa, estavam nojenta. Papeis, sacos de lixo, latas, vasilhas, poças d’ água parada, restos de comidas disputadas por bichanos famintos, enfim, uma gama de repulsão social de dar enjôo a quem passasse. Mas, as casas pelo que pude notar e ouvir em alto e bom som estava repleta da mais linda imagem de tevês, das mais diversas polegadas, os som em uníssono tocando as deliciosos forros, pé-de-serra e ao relento o fedor do descaso para com a vida coletiva. Vida essa que é ensinada na infância nas escolas. Pelo menos no meu tempo era.

A lição final

Andando pelo calçadão de Ponta Negra, refletia como podemos deixar que nossas mentes se deteriorem, assim como aqueles natalenses deixaram suas singelas ruas. Quando não estamos em consonância com as mudanças do mundo, quando não atendemos aos chamamentos das revoluções que diariamente nos coloca diante de desafios, quando não estamos nos movimentando para encontrar algo que possa nos fazer pensar, por fim, quando não transformamos todas as informações em conhecimento, nossa mente estará se transformando naquelas vielas de histórias passadas, rancores desatinados, críticos sem fundamento, raivas de sôfregos, inseguranças de quem se deixou deteriorar, preferindo a vida amarga do trabalho individualista, ao invés de seguir pelas lindas praias do coletivo, onde o trabalho conjunto enleva a alma e a faz caminhar pelos calçadões cheirosos, saboreando os delicados frescores das alfazemas neuronais. Portanto, deteriorar o conjugal, o familiar, o social e o profissional, não é uma decisão política de governos e sim, uma decisão pessoal de cada um de nós.

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