Depois de uma final de semana de trabalho, incluso o sábado, nada melhor do que despertar no domingo, em horário no qual o corpo sente que está descansado, tomar um delicioso café da manhã e fazer uma longa e despretensiosa corrida. Adoro corridas longas, do tipo: mais de vinte quilômetros ou acima de duas horas. Correndo, posso observar tudo, pensar em tudo, pois, é meu momento de isolamento, para resolver toda a semana que se seguirá, planejar o que é prioridade, enfim, isolar-me com apenas um short de corrida, um par de tênis e muito pensamento por praticar. Foi durante essa última corrida, domingo passado, que percebi no longo do trajeto pelo qual passava, uma série de outdoor´s comunicando os seus leitores sobre a necessidade de jovens prestarem vestibular. Todas essas grandiosas placas de propaganda, sem exceção, prometiam um lugar ao sol para o futuro aluno assim que ele se formasse. Como veterano em oferecer aulas por vinte e quatro anos, para milhares de jovens, sei muito bem que, qualquer futuro aluno que faça a inscrição nessas faculdades, podem levá-las ao Procom, por anunciarem o que nunca desejam e pretendem cumprir.
Oportunidade perdidas em melhorar a qualidade humanística das propagandas universitárias
Oportunidade perdidas em melhorar a qualidade humanística das propagandas universitárias
As faculdades privadas atuais, com raras exceções, de fato oferecem o céu para o desejoso futuro universitário, porém, todos esses incautos podem esperar o inferno depois de formados. A qualidade de ensino no Brasil é péssima. Sempre falei sobre isso e fui muito criticado pela minha classe acadêmica, mas, a verdade sempre acreditei que um dia viria a tona. Depois da globalização essa verdade se escancarou diante de nossos olhos, pelo simples fato de que, podemos comparar a qualidade de um aluno que se forma na Coréia e naquele se forma nas terras Tupiniquins e executam a mesma tarefa. Diante da comparação que as empresas transnacionais fazem, somos considerados os piores formadores de universitários, entre os países emergentes, quando são levados em conta os quesitos que uma empresa necessita para a contratação de um funcionário. Ou seja, as faculdades nacionais de fato não atendem ao mercado. Mas, felizmente, esse é um dado positivo para mim, que além de professor sou consultor de empresas. Não por acaso que sempre fui escolhido paraninfo de turma, por ter ofertado aos alunos a mais pura verdade: meu conhecimento de mercado, coisa que a maioria dos meus colegas não tem a mínima idéia do que se trata. A grande maioria dos meus colegas tem a competência em ler as mais atualizada bibliografias internacionais e acreditar que elas se encaixam na realidade empresarial brasileira.
A falta de sensibilidade dos dirigentes de empresas universitárias
No entanto, a perda a oportunidade não está somente na falta de qualidade de ensino, apenas destaquei essa falta de qualidade para fazer uma ponte da falta de vontade política dos dirigentes dessas faculdades em relação ao dia dos professores. Em minha longa corrida, como afirmei, passei por inúmeros outdoor´s que ofereciam essa propaganda enganosa, entretanto, o que chamou minha atenção foi à falta de humanidade dessas faculdades em não ter um único outdoor desejando para todos os professores um feliz dia deles, sendo que, encontrei diversos outros outdoor´s dando os parabéns para os vendedores de seguros, sendo os mesmos patrocinados pelas empresas seguradoras.
Vivendo um paradoxo pelo não aproveitamento da oportunidade
Sei perfeitamente que essas faculdades pouco ou nada se interessam pelas suas melhores referências de mercado: nós professores. Já que colocam inverdades nas propagandas, poderiam ao menos aproveitar a oportunidade de mercado e fazer um elogio àqueles que mantém a sua carteira de cliente durante quatro ou mais anos em alta. Nem isso essas faculdades se dão ao trabalho, pois, para o fluxo de caixa delas, qualquer coisa que represente custo, quer seja a reciclagem de seus recursos humanos, os professores, até o elogio referendando seu dia, não são considerados investimentos. Esquecem até a questão humanística, a qual poderia tocar a emoção de um futuro aluno, fazendo de conta que essa faculdade ao menos se lembra que dia quinze de outubro é o dia dos professores. Continuei minha corrida e fui percebendo inúmeros outdoor´s fazendo propagandas governamentais, em todas as esferas e novamente, a falta de humanidade desses dirigentes: nenhuma alusão homenageando o dia dos professores. Atenção caro leitor são esses mesmos dirigentes que afirmam que melhorarão a educação. Será? Eles sequer lembram daqueles que podem fazer a diferença para que essa melhoria ocorra. Finalizando, parabéns aos dirigentes de seguros que ao menos enalteceram a classe e aumentaram meus conhecimentos, pois, eu não sabia que professores e vendedores de seguros dividem o dia quinze de outubro. Outro conhecimento, fiquei sabendo que dá para confiar mais nos dirigentes de seguros no que nos dirigentes universitários, que na maioria das vezes são professores. Que paradoxo!
1 comment:
O tempo é o maior presente que nos foi dado. Quanto mais vivo, mais alegria de viver encontro.
As amizades antigas e as conquistadas são cada dia mais o balsámo da minha existência.
Recentemente reencontrei uma família maravilhosa que conheci quando ainda bem jovem.E esse reencontro me proporcionou conhecer essa pessoa maravilhosa que é voce Bocatto. Muito obrigada
por existir e ser tão maravilhoso e sensato.
Um grande abraço de quem vai te admirar sempre. (com todo respeito, minha princesa Marluce).
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