
Deliciosamente instalado na poltrona de minha existência, fiquei assistindo na tela da minha mente, o findar de mais um dia de trabalho. Para descansar meus neurônios me vi envolvido com todos as constelações que a Internet nos oferta. Nesse universo do nada se aproveita, mas, onde tudo se vê, recebo o aviso da chegada de mais uma mensagem. O carteiro do futuro, ao contrário do carteiro de Neruda, não chega em sua lenta bicicleta, nem estaciona seu coração diante do receptor da mensagem, para dizer-lhe: bom dia! O carteiro subatômico, apenas emite seu bip e nos deixa a mercê de cartas que nem sempre pedimos para receber. Mas, carta é carta! Ela oferece ao receptor toda sorte de curiosidade. Sem precisar utilizar meu, envolto em teias de aranha, abridor metálico de carta, apenas usei o cursor e abri a mensagem.
Era uma mensagem sobre a atuação de Jesus Cristo
Abri a mensagem e percebi se tratar de um vídeo de treinamento, onde um fariseu, meu colega, diante de um público de pessoas de uma empresa fazia sua preleção. Empresas dessas que tem o recurso e não o utiliza adequadamente. Voltando ao fariseu. Ele estava blasfemar sobre a pessoa de Jesus Cristo. Sem saber de fato de Quem falava, aquele fariseu dizia para platéia buscar Nele a inspiração enquanto funcionários. Primeiro disse que Jesus era um funcionário exemplar, por ter recebido uma tarefa de seu “Chefe” e não ter relegado ou mesmo perguntado de que se tratava. Erro do fariseu: o Cristo não tinha “Chefe”. A oferta partiu de seu Pai. Segunda fala do consultor fariseu: que todos que quisessem ser líderes deveriam ser como o Cristo, pois, Ele havia escolhido doze discípulos e retirado deles o que eles tinham de melhor. Outro erro do fariseu. Nem todos foram escolhidos por Jesus, alguns por livre e espontânea vontade, haviam escolhido as palavras de Jesus e diante delas, resolveram caminhar junto a Ele. Incluso o fato de um deles, não ter admitido que o Cristo de fato era a Luz da Bondade Divina na Terra. Aquele mau discípulo queria que Ele pegasse em armas contra os romanos ou ganhasse a vida com Seus poderes tirando dinheiro dos fracos e oprimidos. Ao não conseguir seu intento vende-O por trinta dinheiros.
O público que recebe essas palavras tende a aplausos falsos
O desinfeliz fariseu, apoiado em uma escada de aço, fazia de conta que ascendia ao infinito, falso é claro, como ele. O fariseu parecia um desses falsos pregadores que aparecem depois da meia-noite em telas de televisão, que de novo, em nome do Cristo, prometem exorcizar nossos males para sempre. No mundo dos negócios dos consultores motivacionais, eles prometem brasas que não queimam, mas, provocam motivação. Prometem que ao levarem incautos a subir em árvores, depois dessa “aventura”, terão mais mobilidade nas tomadas de decisões. Sem contar os camelôs que nunca pagaram um tostão de impostos, ensinam como investir em marketing. Ou ainda pior, os consultores que, como pescadores, contam as maiores lorotas sobre si mesmo, que de tanto mentirem, como mitômanos, acreditam que são de fato o que escrevem em seus currículos. O pior ainda não isso. Esses loroteiros, fariseus e assemelhados, em país de marcosvalérios, zuleidos, rogérios e camarilha que atuam no Balcão do Armazém Brasília, em país da impunidade, todos continuam, impunemente, a dar palestras sobre motivação, incluso o barítono Jefferson.
Como é difícil ser consultor NÃO fariseu nesse país da enganação
Outro dia fui inquirido por um cliente que, ao ver um outdoor onde havia um consultor dizendo que daria um curso rápido e que, os participantes ao saírem de seu treinamento, estariam aptos a gerenciarem e fazer suas empresas terem sucesso. Meu cliente perguntou-me: por que você não faz esse tipo de palestra e ganha muito mais dinheiro? Vendo de quem se tratava respondi que não era meu perfil aquele tipo de trabalho. A conversa terminou ali. Mas, tive, em verdade, a vontade de iniciar a resposta pedindo para que ele gravasse bem o rosto daquele consultor do outdoor e depois fosse vê-lo pessoalmente. Aquela foto deveria ter no mínimo vinte anos. Conheço o consultor e a foto. Desde o início da década de oitenta ele fala a mesma coisa e usa a mesma foto. Mas, para que perder meu tempo, se a maioria é assim, vive em um país do atraso e tem público para enganar? Cada empresa contrata o consultor que merece.
Fariseus! Ao menos deixemos Jesus Cristo em paz
Gostaria de fazer um apelo: consultores, aqueles que usam paramentos, outros que em seus recortados ternos armanis e falam em nome do Cristo nunca deixem de falar sobre Ele! Mas, que ao fazerem, recebendo o dinheiro que recebem, que não é pouco, façam como Paulo, doem para os necessitados. Até por que, a instituição do dízimo não foi do Cristo. A idéia foi de seu pior perseguidor, o fariseu Saulo, que depois de tanto mal fazer ao cristianismo, assim como esses consultores o fazem, percebeu que o caminho da fé era de fato a obra do Dele e arrependido virou Paulo. Quem sabe se estes consultores fariseus antes de serem sacrificados pelos recursos humanos, que sabem separar o joio do trigo, se arrependam e morram por Ele.
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