O DESCONTÍNUO MUNDO FAMILIAR
Em
uma história tipicamente brasileira. Depois da crise de 2008/09, uma importante
empresa (familiar) do setor de bens secundários, a qual viu sua taxa de
poupança econômica (lucro líquido) ir pra o ralo, procurou em desespero uma
consultoria para que fosse realizado um reposicionamento da empresa no mercado,
até porque, seu maquinário havia parado em quase 65% decorrente de ser fornecedora
somente para uma grande empresa multinacional.
Durante
um ano, uma vez por mês, a consultoria esteve reunida com toda a cúpula da
empresa em um hotel para discutir a justificativa (seu passado) e encontrar os
benefícios (seu futuro) em brilhantes, extensos e intensos encontros.
A operação engole a esperança
intelectual
Quando
tudo parecia seguir seu fluxo para a esperada tomada de decisão daquela família
empresária, sendo que, havia na mesa de negociação um novo modelo a ser
seguido, para que não repetisse os problemas justificados no início dos
trabalhos; a família foi engolida pelas novas/velhas – e falsas, movimentações
do mercado nacional, ou seja; dos 1200 funcionários nos exercícios 2008/09, permaneceram
700, sendo que, naquele momento (2010) voltara para o patamar de 1400 (números
aproximados). Tudo o que intelectualmente fora discutido; a) os novos planos de
negócios esclarecidos; b) um novo formato para a família empresária definido
acredite foi descontinuado sob a égide de não havia disponibilidade para os
envolvidos. Segundo todos envolvidos a operação era mais importante, não
havendo o tempo necessário para execução dos planejamentos exaustivamente
estudados. Segundo a alta cúpula: “o mercado nos prime para uma produção
acelerada”. Lá se foram trezentas e sessenta horas em quarenta e cinco (45) encontros,
de um ano de esforço concentrados, mobilizando diretores, gerentes e familiares
da alta cúpula. O lucro cessante familiar escorrido para o ralo da
descontinuidade.
Moral
da história parcial – Esqueceram que estavam no Brasil.
Um país/empresas que não acreditam em
continuidade
Estávamos
– bombando, enquanto país/empresas depois da “marolinha” que por aqui passava, enquanto
verdadeiros tsunamis mundiais faziam ruir toda a taxa de poupança internacional
– historicamente em 1973 e 1982 deu-se o mesmo fato. Afinal por aqui país das
commodities, os preços das referidas nunca antes no mundo chegaram a 40% acima
do mercado spot. Nossos governantes foram às praças internacionais alardear
como cada país do primeiro mundo deveria seguir nossa cartilha, além de
dizermos na televisão que havíamos revertido à síndrome de vira lata, agora emprestávamos
valores expressivos para o nosso maior algoz desde 1959 o FMI ou mesmo. Em
nossa arrogância tupiniquim decidimos orientar os americanos para que seu sistema
“care” adotasse o padrão de nosso SUS.
Cremos
que todo o povo brasileiro que estava também – bombando, com suas novas
aquisições, casa, carros, linha branca, enfim, com endividamento em sessenta
meses, acreditou-se ter chegado sua hora de ser alguém neste mundo de Deus. Chegamos
a ter acima de 3,25% de taxa de poupança interna em relação ao PIB nesses anos
dourados 2005/2001.
A continuidade não continuou
Não
saberíamos dizer “as quantas” anda a empresa citada na história desse blog,
mas, baseando na taxa de poupança atual que está abaixo de 1,0% em relação ao
PIB o que demonstra que o lucro líquido despencou para as empresas, desconfiamos
que; a empresa deverá chamar nova consultoria para iniciar um novo processo de
recuperação. Se é que dará tempo! Essa afirmativa se prende ao seguinte
cenário: bastará olharmos para o cenário daquela época, na qual as indústrias
estavam em alta e compararmos com o momento atual, na qual da taxa de poupança
desce ao inferno de Dante preconizando um futuro de falência industrial. A luz
vermelha está acessa!
Moral da história - Final
São
imperdoáveis sob o ponto de vista da gama de empregados que dependem de seu
ganho para o sustento de milhões de famílias em centros desenvolvidos, que não
contam com as benesses governamentais e, portanto, pagam impostos, voltarem a
enxergar nesse descaso público/privado a descontinuidade do sucesso. O reflexo
dessa economia que vem fraquejando mês após mês; a queda de confiança nas
apostas de um futuro melhor para o país. Mesmo que a escora seja uma
arrecadação que não para de crescer em contra partida com um PIB anêmico; a
solução para esta descontinuidade será difícil de mensurar. No entanto, a lição
é naturalmente o repeteco do que vemos neste tantos governos/empresas de
esperanças, porém, de quase nenhum avanço macro econômico. Como somos o espelho
das decisões governamentais, empresas familiares seguem como boiada que, não
ouve pelo barulho de seus cascos, cega pela poeira levantada e nenhum
raciocínio lógico, despenca no abismo da ignorância pela falta de um dos
pilares empresariais: a continuidade.
No
próximo blog destacarei a figura das manipulações dos atores familiares.
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