Tuesday, May 27, 2014



O DESCONTÍNUO MUNDO FAMILIAR

Em uma história tipicamente brasileira. Depois da crise de 2008/09, uma importante empresa (familiar) do setor de bens secundários, a qual viu sua taxa de poupança econômica (lucro líquido) ir pra o ralo, procurou em desespero uma consultoria para que fosse realizado um reposicionamento da empresa no mercado, até porque, seu maquinário havia parado em quase 65% decorrente de ser fornecedora somente para uma grande empresa multinacional.
Durante um ano, uma vez por mês, a consultoria esteve reunida com toda a cúpula da empresa em um hotel para discutir a justificativa (seu passado) e encontrar os benefícios (seu futuro) em brilhantes, extensos e intensos encontros.

A operação engole a esperança intelectual
Quando tudo parecia seguir seu fluxo para a esperada tomada de decisão daquela família empresária, sendo que, havia na mesa de negociação um novo modelo a ser seguido, para que não repetisse os problemas justificados no início dos trabalhos; a família foi engolida pelas novas/velhas – e falsas, movimentações do mercado nacional, ou seja; dos 1200 funcionários nos exercícios 2008/09, permaneceram 700, sendo que, naquele momento (2010) voltara para o patamar de 1400 (números aproximados). Tudo o que intelectualmente fora discutido; a) os novos planos de negócios esclarecidos; b) um novo formato para a família empresária definido acredite foi descontinuado sob a égide de não havia disponibilidade para os envolvidos. Segundo todos envolvidos a operação era mais importante, não havendo o tempo necessário para execução dos planejamentos exaustivamente estudados. Segundo a alta cúpula: “o mercado nos prime para uma produção acelerada”. Lá se foram trezentas e sessenta horas em quarenta e cinco (45) encontros, de um ano de esforço concentrados, mobilizando diretores, gerentes e familiares da alta cúpula. O lucro cessante familiar escorrido para o ralo da descontinuidade.
Moral da história parcial – Esqueceram que estavam no Brasil.  


Um país/empresas que não acreditam em continuidade
Estávamos – bombando, enquanto país/empresas depois da “marolinha” que por aqui passava, enquanto verdadeiros tsunamis mundiais faziam ruir toda a taxa de poupança internacional – historicamente em 1973 e 1982 deu-se o mesmo fato. Afinal por aqui país das commodities, os preços das referidas nunca antes no mundo chegaram a 40% acima do mercado spot. Nossos governantes foram às praças internacionais alardear como cada país do primeiro mundo deveria seguir nossa cartilha, além de dizermos na televisão que havíamos revertido à síndrome de vira lata, agora emprestávamos valores expressivos para o nosso maior algoz desde 1959 o FMI ou mesmo. Em nossa arrogância tupiniquim decidimos orientar os americanos para que seu sistema “care” adotasse o padrão de nosso SUS.  
Cremos que todo o povo brasileiro que estava também – bombando, com suas novas aquisições, casa, carros, linha branca, enfim, com endividamento em sessenta meses, acreditou-se ter chegado sua hora de ser alguém neste mundo de Deus. Chegamos a ter acima de 3,25% de taxa de poupança interna em relação ao PIB nesses anos dourados 2005/2001.

A continuidade não continuou
Não saberíamos dizer “as quantas” anda a empresa citada na história desse blog, mas, baseando na taxa de poupança atual que está abaixo de 1,0% em relação ao PIB o que demonstra que o lucro líquido despencou para as empresas, desconfiamos que; a empresa deverá chamar nova consultoria para iniciar um novo processo de recuperação. Se é que dará tempo! Essa afirmativa se prende ao seguinte cenário: bastará olharmos para o cenário daquela época, na qual as indústrias estavam em alta e compararmos com o momento atual, na qual da taxa de poupança desce ao inferno de Dante preconizando um futuro de falência industrial. A luz vermelha está acessa!

Moral da história - Final
São imperdoáveis sob o ponto de vista da gama de empregados que dependem de seu ganho para o sustento de milhões de famílias em centros desenvolvidos, que não contam com as benesses governamentais e, portanto, pagam impostos, voltarem a enxergar nesse descaso público/privado a descontinuidade do sucesso. O reflexo dessa economia que vem fraquejando mês após mês; a queda de confiança nas apostas de um futuro melhor para o país. Mesmo que a escora seja uma arrecadação que não para de crescer em contra partida com um PIB anêmico; a solução para esta descontinuidade será difícil de mensurar. No entanto, a lição é naturalmente o repeteco do que vemos neste tantos governos/empresas de esperanças, porém, de quase nenhum avanço macro econômico. Como somos o espelho das decisões governamentais, empresas familiares seguem como boiada que, não ouve pelo barulho de seus cascos, cega pela poeira levantada e nenhum raciocínio lógico, despenca no abismo da ignorância pela falta de um dos pilares empresariais: a continuidade.
No próximo blog destacarei a figura das manipulações dos atores familiares.

O blog esse disruptor será o jornal do futuro. Rápido, ágil, online e com todas as possibilidades de mostrar o pensamento sem limites.

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